O hipopótamo dorme no barro do rio,
seu corpo pesado é canção do vazio,
ninguém o levanta, ninguém o domina,
é bicho sagrado, é pedra que ensina.
O hipopótamo ri da pressa do homem,
que corre sem norte, que esquece seu nome,
comendo silêncio, bebendo luar,
sabe mais da vida que o livro no altar.
Eu vi no olhar do hipopótamo velho
um brilho escondido, um secreto espelho,
mostrando que o mundo é só repetição,
um circo de lama, guitarra e canção.
E eu sigo cantando, pesado também,
hipopótamo livre, bicho de ninguém.
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