os fantoches
do amor
perseguem
nuvens de coração
dureza.
navego sem ver
nada nas ondas
a frente é fantástico
a dor que se
pode suportar.
Linha divisória
Pornografia lacrimosa,
desagradável e violenta.
Número mínimo
Discurso incendiário. Isto é absurdo. Isto é loucura.
Dividing line
Tearful pornography,
unpleasant and violent.
Minimum number
Incendiary speech. This is absurd. This is madness.
de musical amador.
die Klischees dieser Gesellschaft, die uns umgeben, zwischen lebenden und toten Dramatikern und diesem unterdrückenden metallischen Traum von Romanen und Theaterstücken, oh ihr preisgekrönten Schriftsteller, mir wurde der verrottete Nobelpreis der Dunkelheit verliehen, ich reiche diesen Text der Oper der Kabaretts ein und ich hoffe, dass die weißen Prostituierten diese Verse mit den Stimmen von Amateurmusicals lesen.
ávido por publicidade
assim nós vamos eu o
dadaísta sem direção
o coração bruto e barbado
dos poços meio de subverter
esse congresso esse país chamado
brazis andam a natureza
elusiva da arte em insistência
com ar é apenas fluxo mental
Begierig nach Publicity
So geht's, ich, der
Dadaist ohne Richtung
Die rohe, bärtige Corona
Aus den Brunnen, ein Mittel zur Subversion
Dieser Kongress, dieses Land namens
Brasilien wandern durch die Natur
Kunst, die sich in ihrer Beharrlichkeit verbirgt
Mit Luft ist es nur mentaler Fluss
Antiga mensagem lírica
a torneira
e a mesma gota do
pensamento em um
só tempo o alvo certo
dessa flecha estendida
na pedra da alma,
uma concha, vasos
que seforam
o que é poesia?
e quem, se é que existe,
em mim a isso chamaria?
seria o poema
uma linda música de melodia?
mas então seria música
não poesia
talvez seja ilógico
gostar dessa coisa
a que chamamos de
poesia
podemos gostar
de um cachorro
ou de, quem sabe,
um morcego morto,
quem disso
a chamaria?
afinal,
o que é poesia?
uma lembrança perdida,
esquecida,
dita no meio da noite,
balbuciada
pela voz áspera
e sem melodia das estrelas?
afinal, seria
isso de se dizer
poesia,
chamar de amor,
mesmo que seja dito
amor em forma de flor,
mas eu pergunto
um pouco de dia:
que diacho é isso
de poesia, que até hoje
eu não sei ao certo
se disso eu mesmo
a chamaria.
If anyone knew
if anyone knew
that you suck dick in corner bathrooms
if anyone knew
that stars also sneeze
but
so that nobody knows
let's leave everything under the tables
hidden
O uísque era caro, mas o suor no banco de couro do Mercedes era comum. Ele fechou o zíper, recuperando a dignidade junto com o nó da gravata.
— Minha família é tradicional, entende? — ele disse, a voz polida. — Mas tudo bem. Eles nunca vão saber mesmo.
— O segredo é a alma do negócio, doutor — ela sorriu, retocando o batom no espelho do quebra-sol.
— Você é um investimento discreto.
— E você é um cliente... generoso.
Ele saiu do carro, sentindo-se invencível. Ela esperou o farol abrir e desbloqueou o celular. Selecionou três fotos: o perfil dele no escuro, o relógio de ouro sobre o painel e o ângulo exato da nuca suada.
Encaminhou para o contato salvo como "Dona Sílvia".
"O investimento rendeu hoje."
Do outro lado, a visualização foi imediata. Um "visto" azul que brilhava como uma lâmina. No banco de trás, o perfume dela ainda pairava, denso e perigoso, enquanto o homem subia o elevador social, sorrindo para o próprio reflexo.
O neon do quarto piscava em vermelho-alerta. Dalton encostou-a na parede fria.
— Você está sob custódia.
— Prefiro prisão domiciliar — ela riu, abrindo o zíper dele com os dentes. — Entre sem bater.
— Isso é alta traição.
— É inteligência pura.
Ele a suspendeu pelas coxas. O impacto foi um tratado de guerra rasgado.
— Algum segredo a confessar? — arquejou ele, fundo.
— Só um: você não aguenta dez minutos de interrogatório.
— Quer apostar a soberania?
— Quero que você invada o território.
O ataque foi frontal. Sem diplomatas, apenas o suor e o som de corpos colidindo como blindados. A pátria podia esperar; o prazer era urgente e clandestino.
RISCO PARA A SEGURANÇA NACIONAL - conto
A porta do motel de beira de estrada rangia. Dalton sabia que o perigo não vinha dos radares, mas daquela curva acentuada que ela fazia ao tirar o sobretudo.
— Documentos? — perguntou ele, a voz seca como o asfalto.
— No sutiã. Tente a sorte, agente.
— Isso é obstrução de justiça.
— É incentivo ao consumo.
Ela avançou. O cheiro de gardênia atropelava o de cigarro barato. As mãos dela, ágeis, desarmavam o cinto dele com a perícia de quem desativa uma bomba de fragmentação.
— Você é um perigo para o Estado — murmurou Dalton, a respiração curta.
— O Estado sou eu, querido. E acabo de declarar estado de sítio.
— Vou ter que revistar. Cada centímetro.
— Comece pela retaguarda. É lá que escondo o contrabando.
O beijo foi um choque de blindados. Línguas em riste, dentes que buscavam a rendição incondicional. Ele a jogou na cama de lençóis de poliéster, um campo de batalha improvisado sob a luz de um neon intermitente que tingia tudo de rosa-pecado.
— E se nos pegarem? — ela arquejou, as unhas cravadas nas costas dele.
— Seria traição.
— Pois me traia. Agora.
Dalton mergulhou. O suor brilhava como óleo de fuzil. Entre gemidos curtos e ordens sussurradas, a soberania nacional se perdia em meio a espasmos e lençóis embolados. A segurança do país nunca esteve tão seriamente comprometida.
No final, restou apenas o silêncio e o estalo do cigarro aceso.
— Missão cumprida? — ela perguntou, ajeitando a mecha de cabelo.
— Interrogatório inconclusivo. Vamos precisar de outra rodada.
RISK TO NATIONAL SECURITY - short story
The door of the roadside motel creaked. Dalton knew the danger didn't come from the speed cameras, but from that sharp turn she made as she took off her overcoat.
"Documents?" he asked, his voice as dry as asphalt.
"In my bra. Try your luck, agent."
"That's obstruction of justice."
"It's inciting consumption."
She moved forward. The scent of gardenia overwhelmed the smell of cheap cigarettes. Her hands, agile, disarmed his belt with the skill of someone defusing a cluster bomb.
"You're a danger to the State," Dalton murmured, his breath short.
"I am the State, darling. And I've just declared a state of siege."
"I'll have to search. Every inch."
"Start from the rear. That's where I hide the contraband."
The kiss was a clash of armored vehicles. Tongues at the ready, teeth seeking unconditional surrender. He threw her onto the bed of polyester sheets, an improvised battlefield under the intermittent neon light that tinged everything with sinful pink.
"What if they catch us?" she gasped, her nails digging into his back.
"That would be treason."
"Then betray me. Now."
Dalton dove in. His sweat glistened like rifle oil. Between short moans and whispered orders, national sovereignty was lost amidst spasms and tangled sheets. The country's security had never been so seriously compromised.
In the end, only silence and the crackle of a lit cigarette remained.
"Mission accomplished?" she asked, adjusting a strand of hair.
"Inconclusive interrogation. We'll need another round."