Oh, vento vil, de entranhas nascido,
que sem pudor te soltas no ar,
não és anjo nem sopro querido,
és trovador que só sabe trovejar.
Na corte ou na igreja te assentas,
rei e bispo não podem negar,
quando passas, até as damas contentas
se benzem rindo, pra não desmaiar.
És música rude, rabel sem corda,
és missa profana no corpo a soar,
ninguém te chama, mas logo recorda
que o mundo é humano, que é bom perdoar.
E eu te canto, vento atrevido,
pois até no fedor há riso escondido.
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