-Ah, ser judeu!
Não basta gostar de bagels,
nem rir das piadas do tio rabugento
nem chorar com a trilha sonora de Spielberg.
Segundo eles,
a regra é simples:
nascer de mãe judia.
Se for do pai, desculpe,
você é… nada.
Um impostor cósmico
no tribunal celestial da pureza genética.
Então fico imaginando:
e se minha mãe fosse uma canadense amante de panquecas?
E meu pai, um rabino fanático que só queria um filho para contar piadas ruins?
Ah, sim, não posso ser judeu.
E o bar mitzvah? Só um show de talentos frustrado.
Mas o que é ser judeu afinal?
É a identidade? A religião?
Ou só uma desculpa para reclamar da vida,
do metrô lotado, do vizinho fofoqueiro, do mundo inteiro?
Eles dizem: “Você precisa nascer!”
Eu digo: “Olha, nasci, chamei a atenção,
e mesmo assim, aqui estou,
com meus anseios, minhas dúvidas, minha culpa gratuita,
pronto para discutir filosofia em qualquer café que me deixar entrar.”
Ah, a linhagem!
Se isso determina quem você é,
então eu prefiro meu senso de humor.
Mais útil em qualquer festa,
mais eficaz contra a angústia da vida,
e infinitamente mais divertido do que seguir regras antigas
que nem Deus lembra direito.
O anseio?
Ah, meu amigo, é ser judeu à minha maneira:
irônico, nervoso, neurótico,
e com uma piada pronta para cada absurdo do mundo.
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