terça-feira, 26 de agosto de 2025

O Hipopótamo



O hipopótamo dorme no barro do rio,

seu corpo pesado é canção do vazio,

ninguém o levanta, ninguém o domina,

é bicho sagrado, é pedra que ensina.


O hipopótamo ri da pressa do homem,

que corre sem norte, que esquece seu nome,

comendo silêncio, bebendo luar,

sabe mais da vida que o livro no altar.


Eu vi no olhar do hipopótamo velho

um brilho escondido, um secreto espelho,

mostrando que o mundo é só repetição,

um circo de lama, guitarra e canção.


E eu sigo cantando, pesado também,

hipopótamo livre, bicho de ninguém.



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