para thaís
No cálido útero da Física sombria,
Gestou-se o aborto atômico da espécie,
E a carne humana, em pó, já se tece
No úlcero verbo da ciência fria.
Sou pai da luz que mata e não irradia,
Que explode em fungos — torres de efeméride,
E em Hiroshima a morte, líquida e tépida,
Caiu como um anjo de necrofagia.
O átomo — verme oculto da matéria,
Roendo as entranhas da Terra etérea,
Rebentou em prantos de urânio e sal.
E eu, Oppenheimer, na minha agonia,
Senti nos lábios a ironia final:
— Tornei-me Morte! A mãe da Fobia!
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