domingo, 24 de agosto de 2025

Oppenheimer | O pai da bomba atômica

para thaís

No cálido útero da Física sombria,

Gestou-se o aborto atômico da espécie,

E a carne humana, em pó, já se tece

No úlcero verbo da ciência fria.

Sou pai da luz que mata e não irradia,

Que explode em fungos — torres de efeméride,

E em Hiroshima a morte, líquida e tépida,

Caiu como um anjo de necrofagia.

O átomo — verme oculto da matéria,

Roendo as entranhas da Terra etérea,

Rebentou em prantos de urânio e sal.

E eu, Oppenheimer, na minha agonia,

Senti nos lábios a ironia final:

— Tornei-me Morte! A mãe da Fobia!



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