As cores dançam como se fossem vento,
o pincel desenha memórias escondidas,
cada traço é suspiro, é movimento,
a tela respira minhas noites contidas.
O sol invade o quarto em um instante lento,
e a sombra se curva sobre a parede amiga,
o azul se mistura ao amarelo em talento,
e a alma inteira se espalha, antiga.
Tudo é forma, tudo é toque, tudo é canto,
e eu permaneço absorto nesse encanto.
Entre linhas e curvas, descubro a vida,
o vermelho é beijo, o verde é saudade,
o tempo se perde na tinta esquecida,
o coração encontra a sua liberdade.
O mundo se dobra em cor e medida,
e cada respiração é pura eternidade,
o pincel se move com mão rendida,
a mente dança com a simplicidade.
No quadro tudo respira, tudo se torna,
e eu me perco, me encontro e me adorna.
O vento atravessa a janela aberta,
e a luz brinca com cada nuance do chão,
a pintura é festa, memória desperta,
canta no silêncio a sua própria canção.
Entre o toque e o gesto, a mão incerta,
descubro um universo em expansão,
cada cor é abraço, cada linha é oferta,
uma dança lenta, uma invocação.
A tela é o mundo, a vida, o instante,
e eu me deixo levar por esse gigante.
Ah, pintura, teu perfume é desejo,
o corpo inteiro se curva a teu encanto,
as cores se tornam música, me almejo,
e o olhar se perde em teu manto.
Cada traço é voo, cada mancha é beijo,
e o tempo se dobra em doce espanto.
O mundo inteiro se dissolve nesse ensejo,
o silêncio é festa, o silêncio é canto.
Pintura, teu coração me possui inteiro,
e eu permaneço, feliz, por inteiro.
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