terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pintura de Luz

As cores dançam como se fossem vento,

o pincel desenha memórias escondidas,

cada traço é suspiro, é movimento,

a tela respira minhas noites contidas.

O sol invade o quarto em um instante lento,

e a sombra se curva sobre a parede amiga,

o azul se mistura ao amarelo em talento,

e a alma inteira se espalha, antiga.

Tudo é forma, tudo é toque, tudo é canto,

e eu permaneço absorto nesse encanto.


Entre linhas e curvas, descubro a vida,

o vermelho é beijo, o verde é saudade,

o tempo se perde na tinta esquecida,

o coração encontra a sua liberdade.

O mundo se dobra em cor e medida,

e cada respiração é pura eternidade,

o pincel se move com mão rendida,

a mente dança com a simplicidade.

No quadro tudo respira, tudo se torna,

e eu me perco, me encontro e me adorna.


O vento atravessa a janela aberta,

e a luz brinca com cada nuance do chão,

a pintura é festa, memória desperta,

canta no silêncio a sua própria canção.

Entre o toque e o gesto, a mão incerta,

descubro um universo em expansão,

cada cor é abraço, cada linha é oferta,

uma dança lenta, uma invocação.

A tela é o mundo, a vida, o instante,

e eu me deixo levar por esse gigante.


Ah, pintura, teu perfume é desejo,

o corpo inteiro se curva a teu encanto,

as cores se tornam música, me almejo,

e o olhar se perde em teu manto.

Cada traço é voo, cada mancha é beijo,

e o tempo se dobra em doce espanto.

O mundo inteiro se dissolve nesse ensejo,

o silêncio é festa, o silêncio é canto.

Pintura, teu coração me possui inteiro,

e eu permaneço, feliz, por inteiro.




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