quarta-feira, 22 de abril de 2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Mensagem em cima de um computador - Message on top of a computer

 Linha divisória

Pornografia lacrimosa,

desagradável e violenta.


Número mínimo

Discurso incendiário. Isto é absurdo. Isto é loucura.


Dividing line

Tearful pornography,

unpleasant and violent.


Minimum number

Incendiary speech. This is absurd. This is madness.

o piano quebrado die Klischees dieser

 os clichês dessa sociedade que nos
 rodeiam entre dramaturgos vivos e
 mortos e esse subjugador sonho metálico
 de romances e peças óh premiados escritores
  fui laureado com o nobel podre da escuridão 
submeto esse texto a ópera dos cabarés e espero que 
as prostitutas brancas leiam esses versos com vozes 

de musical amador.




die Klischees dieser Gesellschaft, die uns umgeben, zwischen lebenden und toten Dramatikern und diesem unterdrückenden metallischen Traum von Romanen und Theaterstücken, oh ihr preisgekrönten Schriftsteller, mir wurde der verrottete Nobelpreis der Dunkelheit verliehen, ich reiche diesen Text der Oper der Kabaretts ein und ich hoffe, dass die weißen Prostituierten diese Verse mit den Stimmen von Amateurmusicals lesen.

zelo linguísticosprachlichereifer

 ávido por publicidade 

assim nós vamos eu o 

dadaísta sem direção

 o coração bruto e barbado 


dos poços meio de subverter

 esse congresso esse país chamado 

brazis andam a natureza


 elusiva da arte em insistência

 com ar é apenas fluxo mental




Begierig nach Publicity


So geht's, ich, der


Dadaist ohne Richtung


Die rohe, bärtige Corona


Aus den Brunnen, ein Mittel zur Subversion


Dieser Kongress, dieses Land namens


Brasilien wandern durch die Natur


Kunst, die sich in ihrer Beharrlichkeit verbirgt


Mit Luft ist es nur mentaler Fluss

Antiga mensagem lírica

Antiga mensagem lírica  

a torneira 

e a mesma gota do 

pensamento em um 

só tempo o alvo certo


 dessa flecha estendida 

na pedra da alma, 


uma concha, vasos 

que seforam

Pingo do coração

 


Casa

 


nilsferlin

 


murais

 


About

 

About

the curtain of time

I hid myself

your body.

our bodies

 

our bodies

meet

and tremble

through the heavens

of divine clouds

Of course she dreams

 

Of course she dreams

between the two of us

our bodies

meet

and tremble


sea

sea

sea

Canção

 


confusão

 


Um pequeno palpite

 


diálogo

 


amor

 


Pedra

 


nebuloso

 


Antigold

 


a mariposa passa

 


O Centro Geométrico

 


M A R I P O S A L I S A

 


CÁLICE NEGRO

 


A asa

 


CONCRETO AZUL: MARIPOSAS

 


CIRCUITO AZUL

 


A FORMA VIVA

 


Oescuro

 


OOVO

 


Voocinza

 


Surpresa

 


The black woman

 


The black woman

rests

in her


dreams

of beautiful stars

Som


 

Poema oriental ao oriente

 


Uma voz cigana

 


ESPAÇO


 

a elegancia

 




dopoemaaomar

 


Luar

 


Rosa - poema imagem

 


flay fly = poemas imagens

 

flay fly

A mariposa

 


A lua - corpo

 


DA MARIPOSA NEGRA

 


DISPENSÃO

 


Lágrimas vãs

 


MONTANHAS

 


Poesia

 o que é poesia?

e quem, se é que existe,

em mim a isso chamaria?

seria o poema

uma linda música de melodia?

mas então seria música

não poesia


talvez seja ilógico

gostar dessa coisa

a que chamamos de

poesia

podemos gostar

de um cachorro

ou de, quem sabe,

um morcego morto,

quem disso

a chamaria?


afinal,

o que é poesia?

uma lembrança perdida,

esquecida,

dita no meio da noite,

balbuciada

pela voz áspera

e sem melodia das estrelas?


afinal, seria

isso de se dizer

poesia,

chamar de amor,

mesmo que seja dito

amor em forma de flor,


mas eu pergunto

um pouco de dia:

que diacho é isso

de poesia, que até hoje

eu não sei ao certo

se disso eu mesmo

a chamaria.




If anyone knew

 

If anyone knew

if anyone knew

that you suck dick in corner bathrooms

if anyone knew

that stars also sneeze

but

so that nobody knows

let's leave everything under the tables

hidden

TUDO BEM ELES NUNCA VÃO SABER MESMO - conto

 

TUDO BEM ELES NUNCA VÃO SABER MESMO

O uísque era caro, mas o suor no banco de couro do Mercedes era comum. Ele fechou o zíper, recuperando a dignidade junto com o nó da gravata.

— Minha família é tradicional, entende? — ele disse, a voz polida. — Mas tudo bem. Eles nunca vão saber mesmo.

— O segredo é a alma do negócio, doutor — ela sorriu, retocando o batom no espelho do quebra-sol.

— Você é um investimento discreto.

— E você é um cliente... generoso.

Ele saiu do carro, sentindo-se invencível. Ela esperou o farol abrir e desbloqueou o celular. Selecionou três fotos: o perfil dele no escuro, o relógio de ouro sobre o painel e o ângulo exato da nuca suada.

Encaminhou para o contato salvo como "Dona Sílvia".

"O investimento rendeu hoje."

Do outro lado, a visualização foi imediata. Um "visto" azul que brilhava como uma lâmina. No banco de trás, o perfume dela ainda pairava, denso e perigoso, enquanto o homem subia o elevador social, sorrindo para o próprio reflexo.

RISCO PARA A SEGURANÇA NACIONAL

 

RISCO PARA A SEGURANÇA NACIONAL

O neon do quarto piscava em vermelho-alerta. Dalton encostou-a na parede fria.

— Você está sob custódia.

— Prefiro prisão domiciliar — ela riu, abrindo o zíper dele com os dentes. — Entre sem bater.

— Isso é alta traição.

— É inteligência pura.

Ele a suspendeu pelas coxas. O impacto foi um tratado de guerra rasgado.

— Algum segredo a confessar? — arquejou ele, fundo.

— Só um: você não aguenta dez minutos de interrogatório.

— Quer apostar a soberania?

— Quero que você invada o território.

O ataque foi frontal. Sem diplomatas, apenas o suor e o som de corpos colidindo como blindados. A pátria podia esperar; o prazer era urgente e clandestino.

RISCO PARA A SEGURANÇA NACIONAL - conto / RISK TO NATIONAL SECURITY - short story

 RISCO PARA A SEGURANÇA NACIONAL - conto

A porta do motel de beira de estrada rangia. Dalton sabia que o perigo não vinha dos radares, mas daquela curva acentuada que ela fazia ao tirar o sobretudo.


— Documentos? — perguntou ele, a voz seca como o asfalto.


— No sutiã. Tente a sorte, agente.


— Isso é obstrução de justiça.


— É incentivo ao consumo.


Ela avançou. O cheiro de gardênia atropelava o de cigarro barato. As mãos dela, ágeis, desarmavam o cinto dele com a perícia de quem desativa uma bomba de fragmentação.


— Você é um perigo para o Estado — murmurou Dalton, a respiração curta.


— O Estado sou eu, querido. E acabo de declarar estado de sítio.


— Vou ter que revistar. Cada centímetro.


— Comece pela retaguarda. É lá que escondo o contrabando.


O beijo foi um choque de blindados. Línguas em riste, dentes que buscavam a rendição incondicional. Ele a jogou na cama de lençóis de poliéster, um campo de batalha improvisado sob a luz de um neon intermitente que tingia tudo de rosa-pecado.


— E se nos pegarem? — ela arquejou, as unhas cravadas nas costas dele.


— Seria traição.


— Pois me traia. Agora.


Dalton mergulhou. O suor brilhava como óleo de fuzil. Entre gemidos curtos e ordens sussurradas, a soberania nacional se perdia em meio a espasmos e lençóis embolados. A segurança do país nunca esteve tão seriamente comprometida.


No final, restou apenas o silêncio e o estalo do cigarro aceso.


— Missão cumprida? — ela perguntou, ajeitando a mecha de cabelo.


— Interrogatório inconclusivo. Vamos precisar de outra rodada.



RISK TO NATIONAL SECURITY - short story

The door of the roadside motel creaked. Dalton knew the danger didn't come from the speed cameras, but from that sharp turn she made as she took off her overcoat.


"Documents?" he asked, his voice as dry as asphalt.


"In my bra. Try your luck, agent."


"That's obstruction of justice."


"It's inciting consumption."


She moved forward. The scent of gardenia overwhelmed the smell of cheap cigarettes. Her hands, agile, disarmed his belt with the skill of someone defusing a cluster bomb.


"You're a danger to the State," Dalton murmured, his breath short.


"I am the State, darling. And I've just declared a state of siege."


"I'll have to search. Every inch."


"Start from the rear. That's where I hide the contraband."


The kiss was a clash of armored vehicles. Tongues at the ready, teeth seeking unconditional surrender. He threw her onto the bed of polyester sheets, an improvised battlefield under the intermittent neon light that tinged everything with sinful pink.


"What if they catch us?" she gasped, her nails digging into his back.


"That would be treason."


"Then betray me. Now."


Dalton dove in. His sweat glistened like rifle oil. Between short moans and whispered orders, national sovereignty was lost amidst spasms and tangled sheets. The country's security had never been so seriously compromised.


In the end, only silence and the crackle of a lit cigarette remained.


"Mission accomplished?" she asked, adjusting a strand of hair.


"Inconclusive interrogation. We'll need another round."

Loneliness

 Loneliness


I know

what I know

he says but

he knows

nothing, doesn't he?




WISDOM I

 


The sun is gone

 

The sun is gone

and who cried?

It wasn't me.

a new voice

 

a new voice

an almost mystical courage

an ocean of things

the landscape of time