Ó criatura de penas refulgentes,
Que ostentas a cor como ouro em chama,
Por que, entre verdes e flores ardentes,
Teu passo lento a vaidade proclama?
Em ti vejo a fúria do orgulho humano,
Que se admira no espelho e se inflama,
E esquece a humildade, o dom profano
Que ao homem dá a graça que se ama.
Teus olhos, pintados como o céu distante,
Guardam mistérios que a luz não revela,
E cada cauda, em gesto pomposo e elegante,
É o teatro de tua beleza singela.
Mas sob a pluma há temor e fragilidade,
Pois a fera espreita, e o vento açoita;
E o que parece majestade e liberdade
É vaidade que a natureza desaproita.
Ó Pavão! ensina ao homem teu segredo:
Que a glória não é do brilho, mas da essência;
Que o coração verdadeiro é mais nobre enredo
Que qualquer cor ou aparente excelência.
E assim, ao pousar no bosque sereno,
Entre sombras, folhas e ramos gemendo,
Mostras que a virtude, e não o ouro terreno,
É o verdadeiro esplendor, eterno e transcendente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário