China, vasto poema de pedra e arroz,
levantas-te como um dragão adormecido
que respira na neve e no verão,
em teus rios corre a paciência milenar
das mãos que teceram seda
e das vozes que ergueram muralhas contra o vento.
Teus camponeses caminham na madrugada
com passos de enxada e canto,
e cada grão de arroz que colhem
é um sol que alimenta o mundo.
China, mãe de luas vermelhas,
de poemas caligrafados no silêncio,
teu povo é mar sem fim,
tua história é montanha,
e em teus olhos arde a esperança
de quem sabe:
a terra pertence a todos,
como o ar, como a chuva,
como o pão partilhado.
E quando falas,
tua voz não é de império,
mas de multidão:
vozes entrelaçadas como bambus,
força que não se quebra,
canto que não se apaga.
China, companheira,
te saúdo em Neruda,
com a reverência do poeta
diante da imensidão humana:
teu futuro caminha sobre milhões de pés,
e cada passo é uma semente
plantada na carne da terra.
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