sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Elogio à China

China, vasto poema de pedra e arroz,

levantas-te como um dragão adormecido

que respira na neve e no verão,

em teus rios corre a paciência milenar

das mãos que teceram seda

e das vozes que ergueram muralhas contra o vento.


Teus camponeses caminham na madrugada

com passos de enxada e canto,

e cada grão de arroz que colhem

é um sol que alimenta o mundo.


China, mãe de luas vermelhas,

de poemas caligrafados no silêncio,

teu povo é mar sem fim,

tua história é montanha,

e em teus olhos arde a esperança

de quem sabe:

a terra pertence a todos,

como o ar, como a chuva,

como o pão partilhado.


E quando falas,

tua voz não é de império,

mas de multidão:

vozes entrelaçadas como bambus,

força que não se quebra,

canto que não se apaga.


China, companheira,

te saúdo em Neruda,

com a reverência do poeta

diante da imensidão humana:

teu futuro caminha sobre milhões de pés,

e cada passo é uma semente

plantada na carne da terra.



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