para william blake
¹ O Leão ergue-se sobre a colina ardente, sua juba é chama, sua garganta trovão.
² Mas quando a lua surge, seu rugido quebra em soluços invisíveis.
³ Quem ouvirá a lágrima do rei da floresta?
⁴ Quem ousará crer que a força pode se vestir de luto?
⁵ As estrelas inclinam-se sobre seu pranto, como anjos que não podem tocar a terra.
⁶ O rio recolhe o sal de sua dor e o devolve ao mar.
⁷ “Sou guardião e caçador, mas quem me guarda?”, murmura o coração flamejante.
⁸ O céu responde apenas com silêncio, pesado como ferro.
⁹ Entre as presas partidas jaz sua própria solidão;
¹⁰ Entre as garras afiadas, o vazio de ser temido.
¹¹ O choro do Leão é a trombeta que anuncia: a grandeza não é sem ferida.
¹² E na última lágrima cintila a verdade: até a coroa se curva ao mistério da dor.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
O leão chora
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