sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O leão chora

para william blake 


¹ O Leão ergue-se sobre a colina ardente, sua juba é chama, sua garganta trovão.

² Mas quando a lua surge, seu rugido quebra em soluços invisíveis.

³ Quem ouvirá a lágrima do rei da floresta?

⁴ Quem ousará crer que a força pode se vestir de luto?


⁵ As estrelas inclinam-se sobre seu pranto, como anjos que não podem tocar a terra.

⁶ O rio recolhe o sal de sua dor e o devolve ao mar.


⁷ “Sou guardião e caçador, mas quem me guarda?”, murmura o coração flamejante.

⁸ O céu responde apenas com silêncio, pesado como ferro.


⁹ Entre as presas partidas jaz sua própria solidão;

¹⁰ Entre as garras afiadas, o vazio de ser temido.


¹¹ O choro do Leão é a trombeta que anuncia: a grandeza não é sem ferida.

¹² E na última lágrima cintila a verdade: até a coroa se curva ao mistério da dor.



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