Nas cavernas profundas de pedra e ferro,
erguia-se o povo de barbas douradas;
cantavam martelos nas forjas sagradas,
e as muralhas guardavam tesouros antigos.
Mas veio a ruína nas asas do fogo:
Morgre, o Tirano, feiticeiro e dragão,
de olhos vermelhos e hálito negro,
trouxe ao mundo cinza, terror e escravidão.
Ele falava com voz de trovão,
e seus feitiços rasgavam os céus;
os reis tombaram, os rios secaram,
e os anões caíram sob seu jugo cruel.
Então se ergueu Dárin, filho de Durfel,
um anão de passos firmes e coração ardente.
Disse: “Não ficarei na sombra do medo,
irei buscar a ajuda dos Imortais do Ocidente.”
Partiu sozinho pelas trilhas da neve,
levando apenas o machado e a lira,
caminhou dias, caminhou luas,
até que o mundo pareceu findar.
Passou por vales de rochas quebradas,
onde corvos gritavam presságios sombrios;
passou por mares de florestas antigas,
onde espíritos velavam o sono dos rios.
E ao cair da noite, cantava seu canto,
antiga balada dos reis de sua gente:
*"Baruk Khazâd! Khazâd ai-mênu!*
Quebraremos o ferro, varreremos a treva!”
Assim sua voz mantinha a chama
contra o sopro frio do dragão distante.
Por fim, à beira do mundo vislumbrou
as torres brancas dos Imortais sagrados.
E prostrando-se ao portão radiante,
clamou com voz rouca, como clama um clamor:
“Ó senhores do sol, guardiões da estrela,
vinde socorrer os filhos da terra!
Morgre, o Tirano, devora o mundo,
e nós, pequenos, não podemos mais.”
As portas abriram-se em canto celeste,
e dele saiu um arauto de luz:
“Corajoso anão, tua fé nos chama;
não será em vão teu passo errante.”
E dizem que ali nasceu a aliança,
quando o pequeno buscou o eterno,
e que na guerra, no fim dos tempos,
Morgre cairá sob espada divina.
Pois maior que o ouro, maior que o ferro,
é o coração que não cede ao medo;
e o nome de Dárin vive até hoje,
como chama na noite, como esperança no canto.
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