terça-feira, 9 de setembro de 2025

A Balada do Anão Errante e Morgre, o Tirano



Nas cavernas profundas de pedra e ferro,

erguia-se o povo de barbas douradas;

cantavam martelos nas forjas sagradas,

e as muralhas guardavam tesouros antigos.


Mas veio a ruína nas asas do fogo:

Morgre, o Tirano, feiticeiro e dragão,

de olhos vermelhos e hálito negro,

trouxe ao mundo cinza, terror e escravidão.


Ele falava com voz de trovão,

e seus feitiços rasgavam os céus;

os reis tombaram, os rios secaram,

e os anões caíram sob seu jugo cruel.


Então se ergueu Dárin, filho de Durfel,

um anão de passos firmes e coração ardente.

Disse: “Não ficarei na sombra do medo,

irei buscar a ajuda dos Imortais do Ocidente.”


Partiu sozinho pelas trilhas da neve,

levando apenas o machado e a lira,

caminhou dias, caminhou luas,

até que o mundo pareceu findar.


Passou por vales de rochas quebradas,

onde corvos gritavam presságios sombrios;

passou por mares de florestas antigas,

onde espíritos velavam o sono dos rios.


E ao cair da noite, cantava seu canto,

antiga balada dos reis de sua gente:


*"Baruk Khazâd! Khazâd ai-mênu!*

Quebraremos o ferro, varreremos a treva!”


Assim sua voz mantinha a chama

contra o sopro frio do dragão distante.


Por fim, à beira do mundo vislumbrou

as torres brancas dos Imortais sagrados.

E prostrando-se ao portão radiante,

clamou com voz rouca, como clama um clamor:


“Ó senhores do sol, guardiões da estrela,

vinde socorrer os filhos da terra!

Morgre, o Tirano, devora o mundo,

e nós, pequenos, não podemos mais.”


As portas abriram-se em canto celeste,

e dele saiu um arauto de luz:

“Corajoso anão, tua fé nos chama;

não será em vão teu passo errante.”


E dizem que ali nasceu a aliança,

quando o pequeno buscou o eterno,

e que na guerra, no fim dos tempos,

Morgre cairá sob espada divina.


Pois maior que o ouro, maior que o ferro,

é o coração que não cede ao medo;

e o nome de Dárin vive até hoje,

como chama na noite, como esperança no canto.




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