terça-feira, 9 de setembro de 2025

O Pavão



Ó criatura de penas refulgentes,

Que ostentas a cor como ouro em chama,

Por que, entre verdes e flores ardentes,

Teu passo lento a vaidade proclama?


Em ti vejo a fúria do orgulho humano,

Que se admira no espelho e se inflama,

E esquece a humildade, o dom profano

Que ao homem dá a graça que se ama.


Teus olhos, pintados como o céu distante,

Guardam mistérios que a luz não revela,

E cada cauda, em gesto pomposo e elegante,

É o teatro de tua beleza singela.


Mas sob a pluma há temor e fragilidade,

Pois a fera espreita, e o vento açoita;

E o que parece majestade e liberdade

É vaidade que a natureza desaproita.


Ó Pavão! ensina ao homem teu segredo:

Que a glória não é do brilho, mas da essência;

Que o coração verdadeiro é mais nobre enredo

Que qualquer cor ou aparente excelência.


E assim, ao pousar no bosque sereno,

Entre sombras, folhas e ramos gemendo,

Mostras que a virtude, e não o ouro terreno,

É o verdadeiro esplendor, eterno e transcendente.



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