Sob o sol que se ergue como trombeta de fogo,
vi os campos dourados ondulando em Campinas,
terra onde o café dorme nos montes como exércitos adormecidos,
e as árvores guardam em silêncio a memória dos bandeirantes.
Lá, o vento sopra com voz de ancião,
contando histórias de engenhos e fazendas,
de homens que plantaram raízes profundas
e de mulheres que ensinaram paciência às pedras.
Ó Campinas, teus trilhos são veias de ferro,
teu coração pulsa nas praças e coretos,
teu povo se move como corrente de rio,
mistura de sonho, suor e esperança.
Nos jardins da tua tarde,
a juventude caminha como quem herda o futuro,
e os sinos das igrejas, em coro metálico,
lembram que há sempre um Deus sobre os telhados vermelhos.
E quando a noite desce sobre tua planície,
com suas luzes acesas como constelações humanas,
sinto que nenhuma Babilônia, nenhuma Roma,
pode apagar a grandeza que brota de teu chão.
Campinas, cidade de labor e canto,
és mais que terra: és mito de coragem,
és o poema inscrito em cada rosto,
és a eternidade guardada na simplicidade dos teus dias.
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