terça-feira, 9 de setembro de 2025

Écloga a Campinas

Sob o sol que se ergue como trombeta de fogo,

vi os campos dourados ondulando em Campinas,

terra onde o café dorme nos montes como exércitos adormecidos,

e as árvores guardam em silêncio a memória dos bandeirantes.


Lá, o vento sopra com voz de ancião,

contando histórias de engenhos e fazendas,

de homens que plantaram raízes profundas

e de mulheres que ensinaram paciência às pedras.


Ó Campinas, teus trilhos são veias de ferro,

teu coração pulsa nas praças e coretos,

teu povo se move como corrente de rio,

mistura de sonho, suor e esperança.


Nos jardins da tua tarde,

a juventude caminha como quem herda o futuro,

e os sinos das igrejas, em coro metálico,

lembram que há sempre um Deus sobre os telhados vermelhos.


E quando a noite desce sobre tua planície,

com suas luzes acesas como constelações humanas,

sinto que nenhuma Babilônia, nenhuma Roma,

pode apagar a grandeza que brota de teu chão.


Campinas, cidade de labor e canto,

és mais que terra: és mito de coragem,

és o poema inscrito em cada rosto,

és a eternidade guardada na simplicidade dos teus dias.



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