terça-feira, 9 de setembro de 2025

O Fauno na Neve


Sob o silêncio branco da floresta,

onde cada galho guarda um véu de gelo,

um fauno caminha.

Seus cascos batem no chão como lembranças antigas,

e nas mãos ele leva, firme,

um guarda-chuva negro contra a queda da neve.


O mundo inteiro é um mistério suspenso,

um reino entre o sono e a vigília.

A neve não é fria:

é um véu do tempo,

é a promessa de algo maior,

um portal que se abre no meio da solidão.


O fauno anda devagar,

como quem conhece segredos que não se dizem,

como quem sabe que até o menor dos gestos —

abrir um guarda-chuva no inverno eterno —

pode ser uma resistência contra a escuridão.


E enquanto caminha,

o céu se curva sobre ele,

as árvores o contemplam,

e toda a floresta, em silêncio,

parece esperar uma história que ainda não foi contada.



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