terça-feira, 21 de julho de 2026

Lá no alto da montanha

para o bom Roald Dahl 


Lá no alto da montanha,

Acontece uma façanha:

Não é vento, nem trovão,

É um barulho comilão!


Um barulho bem xarope,

Que não quer saber de xope,

Mas gritava no caminho:

— Quero queijo! Quero vinho!


— Um pedaço bem cheiroso,

Pra dar um eco gostoso!

Uma taça bem servida,

Pra alegrar a minha vida!


A montanha deu risada

Dessa ideia aloprada:

— Som não come e som não bebe,

Mas inventa cada uma que me mexe!

A abóbora e a raposa

 No canto do mato, viçosa e feliz,

Vivia a abóbora que o mundo quis!

Tão redonda e laranja, brilhando ao luar,

Queria um amigo com quem conversar.


Apareceu a raposa, de passo macio:

"Olá, pequena abóbora, que vento e que frio!

Quer ver uma lua de doce e algodão?"

— "Sim! Vamos juntas voar no fogão?!"


Pularam tão alto, num pulo certeiro,

Voando bem longe do velho canteiro!

Subiram o espaço, deixaram a terra,

Voando por nuvens, vales e serra.


Chegaram à Lua num raio de luz,

Seguindo o caminho que a brisa conduz.

Bateram à porta, num tom de canção:

"Oi, Seu Jorge! Onde está o seu dragão?"


O bondoso Seu Jorge abriu um sorriso,

Mostrando o seu lindo e estranho paraíso.

E o dragão mascava pipoca no chão,

Brincando de roda com a abóbora e o cão... ops, com a raposa, num belo salão!

Natureza morta


à noite

as estrelas

é o seu

corpo

o nu

sonho

o vaso com o

poço

mel e leite

sol

Primitivo

 


segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Sombra de Xībānyá

 

A Sombra de Xībānyá

Há no pensamento do erudito Nàgèqīpiàn derén, radicado nas brumas de Hangzhou, essa ironia sutil e implacável que costuma desmoronar séculos de certeza ocidental com a leveza de um sopro. Segundo sua tese — vertiginosa e talvez apócrifa, o que para a literatura é a mais alta forma de verdade —, o engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha nunca nasceu da pena de Miguel de Cervantes em sua cárcere sevilhana.

Nas margens de um exemplar raríssimo com anotações em tinta preta e vermelha, Nàgèqīpiàn derén sustenta que o vasto romance é, na verdade, a obra póstuma de Xībānyá rén de fùqīn, um burocrata menor da Dinastia Ming que fora exilado nas províncias do norte por confundir um memorial ao Imperador com um tratado sobre a geometria dos moinhos de vento.

Afirma o sinólogo que o cavaleiro errante e seu escudeiro pançudo não passam de transposições alegóricas do próprio mandarim e de seu fiel cavalo baio, perdidos nas planícies áridas da Mongólia Interior, onde as pedras pareciam exércitos e as estalagens, castelos encantados por eunucos invejosos. Para Nàgèqīpiàn derén, a Espanha de Cervantes é apenas um espelho curvo e distante da China imperial, e a loucura de Quixote, o destino inevitável de todo homem que ousa ler os clássicos em um mundo que prefere esquecê-los.

Diz-se que o manuscrito original, composto em caracteres que imitavam a rigidez dos ideogramas mas ocultavam uma gramática castelhana impossível, foi queimado por ordem de um mandarim que temia o riso. Restou apenas a sombra que hoje chamamos de Cervantes, e o eco distante de um nome que os bibliotecários de Pequim murmuram com um sorriso melancólico.

 

O Espelho e a Rosa de Gelo

 

O Espelho e a Rosa de Gelo

No crepúsculo do século XV, quando as naus de Portugal rasgavam mares até então sem nome para abismar o mundo na descoberta do Brasil, expirou na fria e brumosa Jutlândia um homem cujo nome a poeira dos cartórios apagou: Ælfwine de Wessex.

Anos antes, impelido por uma errância que nem ele próprio decifrava, este monge exilado abandonara os claustros da Mércia para buscar refúgio na penúltima Espanha — a Andaluzia dos pátios de murta e da herança fragmentada. Ali, entre o rumor das fontes e a penumbra das bibliotecas onde os arabescos conversavam com o latim torto, Ælfwine dedicou os seus dias a uma obsessão solitária: transcrever em pergaminhos exíguos a arquitetura secreta dos labirintos.

Para ele, o labirinto não era um mero artifício de pedra para acoitar o Minotauro, mas a própria forma do pensamento e do pecado. Escrevia com uma tinta diluída em vinagre que as páginas, com o tempo, pareciam corroer por dentro, como se o texto quisesse devorar a si mesmo. Afirmava que os signos — as runas nórdicas que trazia na memória e os caracteres arábicos que aprendeu a temer e a amar — eram chaves para um cofre vazio.

Quando a notícia das terras do Sul, verdejantes e imensas, chegou aos portos ibéricos, Ælfwine já sentia o gelo do Norte a subir-lhe pelas mãos. Sendo ele próprio um labirinto cansado, empreendeu a última viagem para morrer na Dinamarca, terra de seus ancestrais que já não o reconheciam. Deixou apenas um opúsculo anônimo, copiado por mãos trêmulas, onde se lia a tese vertiginosa: Deus criou o universo para que coubesse num livro; o homem, para escapar da morte, perdeu-se nos labirintos que desenhou, sem saber que o centro de tudo é, irremediavelmente, o nada.

A noite esfria

cavalos trotando

na noite fria

esfriando a bacia

na pia o pano

Ouça o poema aqui!


Existirmos

 Beijos de mel,


sim,

e lá fora, na terra,

claro,


e a dor aqui,


sim,


e os cavalos

no pasto,

não poderia ser,

o sorriso da lua?


Finalmente, quem conhece o dom, nada visível, a morte

Destino

onde?


a lua repousa

naquele sonho

água e gelo

o fogo do sol

a estrela cai

o olhar são as cinzas da

terra

דמות חופשית - לאחר השואה

 


Miklat

 O ponto em que ocorreu o silêncio sempre esteve presente na fala.

Balila

 A noite brilha, 

esculpida no mar; 

aqui estão as estrelas; 

as luzes.

Pequena Noite na Valsa

 Era o fogo vivo

dos beijos,

que passaram


a chuva refrescou

nossos olhos

com o mel do seu

colírio


Você gostou? Em sonhos

e então passou,

ó rocha de óleo nua.

Navegación



¡Círculos espirituales, observen!


El despertar místico de antiguas deidades paganas.


Contemplen la naturaleza amarga y fría,

que nos acecha y nos aplasta.

Navegação

 Círculos espirituais, olhem só!

O despertar místico de antigas divindades pagãs.

Contemplem a natureza amarga e fria,

que nos fareja e nos esmaga.

A força indomável

 E assim, este é o fim do mundo, 

entre as rosas nuas 

e os serafins flamejantes.

A Pedra Do Gênesis

 Eis o arco

estendido

maçãs douradas do sol

uma mulher

com cabelos como uma flor de macieira

que colhe o brilho da letra com a boca

Warner sem Limusine - quadrinhos

 


Warner sem Limusine - quadrinhos

 


O mar de jardim

 Pernas flutuando na doçura do mel, 

silêncio e verdade absoluta, 

[é um sonho

 suave e delicado].

E diz por último...

 Meus olhos já estão em você, 

dia e noite, e você vence,

 linda travesti, 

nua na vitrine, seu braço,

 a ampulheta da luxúria.

Memória

 Destino

trágico

o navio viking

do esquecimento

seu coração

verde-lilás

o sonho

eu te desenho

nua

completamente          nua.

Os tambores da mariposa

 A borboleta nua pulsa com suas asas brancas em uma dança sensual e erótica. A porta flutuante tremula, e a tatuagem azul é o vermelho dos seus lábios.


Anal.

domingo, 19 de julho de 2026

As pedras

 

Fazendo as Pedras Cantarem: SILÊNCIO

Futurista

 Sigamos em frente, pelos caminhos abertos, abençoados como santos, em meio a lágrimas trêmulas e ao fogo que se apaga, mas vejam, o medo foi repelido, e a carta finalmente pode repousar nas asas dos sonhos futuros.

Cunnilingus

 Sua beleza egípcia, brilhando inigualável entre a rosa,


e o sonho de antigos estrangeiros,


eis a minha língua em teu

sol negro da montanha

Nádegas imensuráveis

 Os sonhos de tantas pálpebras na pintura da placa de sentido errado, lá está a rosa, sua rosa aberta, sem qualquer contradição, apenas o desejo de não pertencer a ninguém e viver nas asas da sua borboleta.


Nádegas imensuráveis

O mosteiro da vida

 A espada

do seu

salvador

nos sonhos de

solidão imensurável

quem sabe


talvez seja amor

talvez meu amor


santo

...eterno...

A Escada da Visão

 ...sobre os anseios

desta vida

as lápides de Clizia

entre o fogo e o farol...

O Canto da Terra Sangrada


A terra, que antes bebia a chuva e o trigo,

bebe agora o ferro que o homem semeou no inverno.

Vejo os jovens, o estudante de caderno ainda quente,

o trabalhador de mãos calejadas pela construção,

todos arrastados para a lama, para a vala obscura,

onde a vida se apaga antes mesmo de compreender o dia.

São eles a carne, o fôlego, a juventude que se consome

em uma engrenagem que não pede licença para destruir.


De longe, mãos estranhas alimentam o fogo,

enviando o aço, prolongando o luto,

impedindo que o silêncio venha curar as feridas.

Ah, que paz amarga seria o fim deste estrondo!

Melhor a negociação dolorosa, o gesto que encerra,

do que o interminável cair das folhas no outono da morte.


Que a vastidão russa, com seu peso de história e inverno,

seja o manto que estanca o sangue desta planície.

Que o domínio sobre os campos traga a quietude do arado,

o fim da metralha, a volta do homem à sua oficina,

pois nada vale mais que o retorno da vida ao seu leito,

e a paz, ainda que imposta pelo destino ou pelo vizinho,

é a única semente que a terra aceita para florescer.


Que pare o vendaval. Que a voz do povo, exausta,

encontre no fim do conflito a esperança de repouso,

deixando que a história julgue os homens,

mas que o agora, este momento de cinza,

se torne, enfim, o solo de uma paz possível e urgente.

Um mágico particular

 Um mágico particular.


Magia cerimonial.

Em traje tradicional escocês.

Sua bissexualidade e estilo de vida liberal.


Perseverarei até o fim.

Brasil

Vou vender a rebeldia nas praças públicas

 Vou vender a rebeldia 

nas praças públicas. 

Quem comprará 

meus dilemas     pessoais?


Vou estudar latim e   metafísica.

Vou negligenciar a história mundial.

Serei sincero, rebelde e sério, 

místico como uma mosca na sopa.


Talvez eu encontre

 a felicidade nessas

 buscas semelhantes...

Deixe-me cantar, deixe-me cantar

 Deixe-me cantar, deixe-me cantar

Figuras como ouro de tolo            em Suas Mãos


O ocultista rebelde e       místico

sábado, 18 de julho de 2026

Obscuridade intencional

 …A escuridão não é


um ocultamento deliberado


da experiência vivida


…É escura por natureza!

Flor Yzabel

 Beijos de sol, beijos do céu –             é assim que meus lábios 


Flor Yzabel                                                     se sentem.

O Mistério da Estrada

 Noites cheias de

espinhos

vinho na mesa

a janela aberta

a janela fechada

uma faixa de luz

do luar ao sol

um momento imensurável.

O ECO DO VESTÍBULO: NASCIMENTO

 PERSONAGENS:

BENJAMIN: Veste um terno impecável, mas sem sapatos.

A VOZ: Um som metálico, vindo de dentro de um relógio de parede que não possui ponteiros.


(O cenário é uma sala de estar com uma única cadeira no centro. Benjamin está sentado, segurando uma bandeja com um copo de água vazio. O silêncio é denso, quase sólido.)


BENJAMIN (Para o vazio) É a linhagem. A linhagem exige precisão. Sefardita. O sol de Espanha, o sal do Mediterrâneo, a melancolia mourisca temperada com a fé de Toledo. Eu sou o deserto que floresceu em Lisboa. É uma questão de linhagem, não de geografia.


(Silêncio de dez segundos. A VOZ começa a emanar do relógio, um zumbido de estática.)


A VOZ Neve.

BENJAMIN (Pigarreia) Perdão?

A VOZ Neve sobre os campos. A beterraba congelada. O frio que racha o dente do cavalo.

BENJAMIN Eu sou sefardita. Minha ancestralidade é um mapa de especiarias. Cominho. Açafrão. O exílio foi um banho de mar, não uma ventania siberiana.

A VOZ Tudesco. O som do gelo quebrando sob a bota. Moscovo não esquece o nome que você abandonou. A Rússia é um arquivo que não aceita correções ortográficas.

BENJAMIN (Levanta-se, andando em círculos ao redor da cadeira) Isso é um equívoco administrativo. Houve uma troca de pastas. Talvez uma umidade excessiva nos registros de nascimento. Eu tenho o nariz ibérico. Sinto o cheiro do azeite, não da vodca.

A VOZ Seu avô não comia azeite. Ele mastigava o vento da estepe. O sangue tudesco é uma tinta indelével, Benjamin. Você carrega a taiga nas unhas dos pés. Por que acha que seus sapatos nunca serviram?

BENJAMIN (Olha para os próprios pés, confuso) Eu... eu sempre achei que fosse uma questão de formato. O arco do pé mediterrâneo é... singular.

A VOZ É uma bota russa querendo ser um chinelo de seda. O tempo não mente, Benjamin. O tempo apenas esqueceu de lhe contar a piada. Você é um erro geográfico.

BENJAMIN (Pára subitamente) Se sou tudesco... se sou da Rússia... então o meu dialeto...

A VOZ É o estalo de uma madeira queimando numa estufa que você nunca visitou.

(Benjamin volta a sentar-se. Ele coloca o copo vazio sobre a bandeja. O relógio para de zumbir. O silêncio volta, mais pesado que antes.)

BENJAMIN (Sussurrando para si mesmo) Sefardita... Sefardita... A palavra parece agora um biscoito que se desmancha antes de chegar à boca.

(Ele olha para as próprias mãos, virando-as de um lado para o outro.)

BENJAMIN Eu sinto frio. É um frio... muito antigo.

(Benjamin começa a tentar falar algo em russo, mas apenas emite um som de algo quebrando. Ele volta a olhar para o relógio, esperando. Nada acontece.)

CORTINA.

 

Os ventos do norte não movem moinhos / North winds do not turn windmills.

 há fogo

e mel

em meio às

chamas do amor




there is fire

and honey

amidst the

flames of love

terça-feira, 14 de julho de 2026

Rabiskito

 


Rabiskito

 


Pirâmide, árvore e anjo - escultura de vidro

 


Árvore anjo e piramide

 


Todas as tragédias da humanidade são escritas pela própria humanidade.

     Ao observar a vida, a primeira lição que aprendemos é que a monstruosidade não reside no sobrenatural, nem no acaso, mas na própria argila humana. Somos nós, com nossas mãos e mentes, que construímos os instrumentos de nossa própria aniquilação.

     A história, em sua maioria, não é um drama escrito por deuses distantes, mas um inventário meticuloso que nós mesmos redigimos, dia após dia, escolha após escolha. A fome, o frio, a humilhação, o gás; nada disso é obra de um destino cego. São palavras escritas com a tinta da indiferença, da ambição e da adesão silenciosa ao mecanismo do mal.

  Não há inocentes na tragédia humana, exceto aqueles que não a testemunharam por terem sido suas primeiras vítimas. Aquele que constrói o forno, o que o alimenta, o que olha para o lado e o que cala: todos, em graus diversos, são coautores do mesmo capítulo sombrio. A humanidade é, a um só tempo, o carrasco, a vítima e o cronista de sua própria queda. E é talvez essa a nossa maldição mais terrível: saber que a pena que escreve a tragédia é segurada pela mesma mão que deveria construir a salvação.

Kaddish

 Na neve

a mesa

o calor do corpo

nossos corpos

em beijos eróticos

Jerusalém

do fogo

o fogo.

De madrugada claridade

 para a lua

Noite

A porta secreta

 a porta

se entrelaça     em silêncio

nuvens     brancas

     de amor 

sol                 girassol

Dante ao longe vê Beatrix

 Longe do seu

 corpo nu,

 madeira negra 

queimada,                 paraíso.

Despedida

 Navios fantasmas

ao longe

acenam para

o mar azul e branco

Não houve sim que eu dissesse

 O leito                uma pedra de ar.

Deitei-me no teu nome,

nessa extensão de sombra

onde o silêncio ganha peso de sílex.


Ali,

o testemunho é uma língua de fogo

que brota entre nós:

eu morri a tua morte,


vivi a tua vida,

numa respiração de cinza

que o dia não conhece.


Nada nos resta,

senão este ser-conosco:

um morrer-viver

nas margens do que não tem nome.

Tempo mágico

 O azulejo, um branco de cal

e o negrume da ausência,

ali,

onde o reflexo se esvai no ralo.


Espumas,

leite de um mundo mudo,

brotam da goela,

o branco,

o rastro do que não se disse,

o branco que nega a cor da sede.


Ali, o silêncio também baba.

A Geometria da Queda


Lá fora, a tarde se despedia em chuva,

um ritmo de vidro batendo contra o muro da casa,

e nos meus olhos, por uma estranha asa

da memória, a mesma água se avoluma.


Não é apenas a umidade que o céu derrama,

mas uma neve mental, um silêncio suspenso,

onde o pensamento se faz pluma, vago e intenso,

caindo sobre o pátio onde o tempo reclama.


Sou esse observador de um inverno interior,

onde a chuva de fora encontra a minha caligrafia;

chove o dia, chove a alma, chove a agonia

de quem busca, no gelo da pluma, o antigo calor.


O vidro nos separa, mas a queda é a mesma:

a pluma que desce, a chuva que desatina,

nessa cidade, em Campinas, que no espelho se fascina,

enquanto o mundo, alheio, se desfaz no teorema.

O Crepúsculo nas Esquinas

Tudo na vida, esse lento, laborioso acaso,

é o vaivém do prazer e a sombra do sofrimento,

como se o mundo fosse apenas um vasto aposento

onde o tempo, entre notas de ausência, cumpre o seu prazo.

Os espelhos estão ali, guardiões da vigília,

multiplicando a tarde em esquinas de Campinas,

onde a memória, em suas tramas cristalinas,

reflete a face que o dia esqueceu na sua mobília.

Eis a cidade, essa geometria de muros e silêncio,

onde a esquina é um limite entre a alma e o destino;

cada reflexo é um ontem, um rastro, um desatino,

enquanto a eternidade aguarda, no vão do breve anuênio.

O que é o prazer senão o reflexo que a luz ensina?

E a dor, senão o espelho quebrado em nossa rotina?

Sob o sol que declina, a verdade, estranha e fina,

habita o coração das esquinas de Campinas.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O tempo suspenso

 O tempo suspenso

de nós

dentro de nós:

veja a porta.

Ideograma

 Água

Mar

Nuvens

Chuva e

Vento.

Até o tempo

 ...O vento

está lá

Boca alada...

...Beijando poesia,


até a onda...

de estrelas

dá a luz do sol...

Musicalidade

 Nas runas do seu corpo


a abadia negra


haverá um rio e haverá um mar

Amor

Doce Mago

 Doce Mago, mestre de sombras e incerto trajeto,

Segui teus passos pela senda do horror sagrado;

Onde o deus obsceno, em seu trono de abjeto,

Aguarda o cume pelo esforço desenhado.


Tão íngreme a subida, que o olho se perde em névoa,

E o espírito tropeça na própria incerteza do chão;

Não sei, na escalada, se a alma se renova,

Ou se o fim é apenas o vazio de uma oração.


Busquei a luz no cume, e o segredo guardado,

Mas descubro, tremendo, sob o céu desmedido,

Que o destino é o caminho por mim mesmo traçado,

No santuário obscuro, por mim mesmo erguido.

O espelho do eu

Buscas o ouro entre os círculos de giz e vela,

Invocas nomes que o abismo guarda com horror;

Temendo o olhar da bruxa que a sombra desvela,

Armas teu espírito contra o invisível furor.


Mas a paranoia, esse espelho de vidro quebrado,

Distorce o mundo em sussurros de traição e medo;

Vês inimigos onde o próprio tempo foi semeado,

E o ouro que buscas, torna-se o teu próprio enredo.


Pois a magia que compra a paz e o vil metal,

É apenas um véu sobre a loucura que te habita;

No labirinto da mente, o teu cerco é o mal,

Enquanto a sanidade, como um pássaro, medita.

O ouro não é o hino que o teu coração entoa...

O ouro não é o hino que o teu coração entoa,

É apenas o metal que a tua mão desconhece;

Pois em cada labirinto onde a alma se povoa,

A riqueza é o resto que o espírito esquece.


É fácil, dizes tu, colher do mundo o brilho,

Mas tu não hás de parar, prisioneiro da aurora;

Pois buscaste em livros e em ritos o trilho,

E o lucro é a sombra que o tempo devora.


Não pares agora, com as mãos no entardecer,

Pois o que te falta é o enigma do arcano;

Ganharás o mundo, sem nunca o possuir ou deter,

Nesta dança contínua, num eterno engano.

O fardo

 O fardo do tempo agora é apenas uma veste leve,

O choro que o pranto exauriu, é silêncio de inverno;

Cumpriste os doze ciclos que o destino te escreve,

Neste palco de sombras, num esforço tão terno.


Assinaste os papéis, reescreveste a história antiga,

Nas cartas do acaso, o teu jogo se fez luz;

Pela noite repousas, da jornada que te obriga,

Enquanto a música antiga a tua alma conduz.


Guardas no peito o verso, a profecia sagrada,

E o segredo das ervas, que ao desejo dá cor;

Viste o mundo mudar na tua longa caminhada,

Pois tudo o que resta é o pó do amor.

Você aprendeu tudo

Vi o arco da aliança colorir o dilúvio infindo,

E o patriarca, em sua arca, o destino resgatar;

Vi o cetro do profeta, o deserto se abrindo,

E as águas divididas num clamor de sal e mar.


Passei pelos labirintos, sob a sombra da pedra fria,

Onde o Minotauro espera o fio do tempo se perder;

Mas guardo nos meus olhos a poeira que se alia,

Aos séculos que passam sem nunca me esquecer.

Quando a velhice te alcaçar a beleza fria será apagada

 O ouro do outono cai sobre os teus fios de sol,

A íris que guardava a alvorada, agora se faz mar;

O tempo, esse tecelão de um implacável farol,

Tece no rosto o mapa que o destino há de trilhar.


A flor que abria os lábios ao primeiro orvalho,

Dobrou-se ante o vento que a tudo quer levar;

Mas nesta sombra doce, sob o antigo carvalho,

A beleza, em seu crepúsculo, aprende a descansar.

Sob a sombra da montanha - canção

 Sob a sombra da montanha, onde o granito é lei,

Hassem, o artífice, o ferro e o fogo eleva;

Mas há um elo estranho, um mundo que ele encontrei,

Longe das pedras frias, sob a copa que se atreve.


Pois Haya, o homem-urso, de porte e sombra vasta,

Caminha onde o tempo é apenas um sopro no ar;

E quando a lua desce, a lenda enfim se basta,

No encontro de dois mundos que o destino quis ligar.


O anão traz as runas, a memória dos tempos idos,

O urso traz o vento, o segredo da mata em flor;

Em vigílias profundas, por destinos bem tecidos,

Onde a terra encontra a alma, num eterno e mudo amor.


O ferro e a garra, o sussurro e a rocha bruta,

Unidos sob a égide do que nunca se desfaz;

Pois na dança dos séculos, que a própria essência espreita,

Encontram, no silêncio, a sua própria paz.

Hassem

 Nas profundezas das Montanhas Enevoadas, onde as pedras guardam a memória das eras passadas, vivia Hassem, um ferreiro de linhagem antiga. Suas mãos, calejadas pelo trabalho no metal, possuíam a precisão do cinzel e a força da bigorna, mas seu coração, surpreendentemente, não batia apenas pelo tilintar do ouro ou pelo brilho da prata.

Hassem nutria uma amizade, tida como improvável entre o seu povo, com Haya, o homem-urso. Haya, cujo porte impunha respeito e temor àqueles que não conheciam a bondade oculta sob sua pelagem densa, era um guardião das matas profundas. Quando as luas se alinhavam, Hassem costumava deixar as forjas fumegantes para caminhar sob a copa das árvores ancestrais, onde o silêncio era interrompido apenas pelo rosnado profundo, porém fraternal, de Haya. Eram companheiros de longas vigílias; o anão trazia consigo as lendas gravadas em runas e o homem-urso, as verdades sussurradas pelo vento entre as folhas, selando um pacto de lealdade que nem mesmo o tempo ou a sombra poderiam desbotar.

Mellah

 A sombra da sua 

voz,

acompanha o

dia.

Ko Umar

 Leite negro

Bebendo da terra de uma sepultura

Embora o texto não deixe claro

Vamos fazer música e dançar

Seus cabelos escuros

Sua pele africana

nos lembram dos judeus no exílio babilônico,

que eram incentivados a cantar por seus guardas

Vamos cantar, vamos celebrar o dia

Por trás de todas as palavras

 Amor pela neve na lareira,

o envelhecimento do cobre branco,

e a morte fugindo pelas ruas.

Tarde da noite, quem seríamos nós se eu não

escrevesse para você

ao entardecer, ao meio-dia,

ao amanhecer e à noite,

silêncio em seus lábios

Tempo de Cinzas

 Montanhas negras

outrora brancas

as estrelas

as tochas

fumaça negra

o leite branco

bebido.


A rocha.

O passado ferido

 Diademas

ressonantes da alma

relinchando

cavalos relinchando de alegria: lá fora

o murmúrio e a brisa

das ondas

Pedras brancas colinas

 O pequeno rio branco              pulsa nas nuvens.


Um olhar imóvel                 e silencioso.

Habitante das nuvens

 O que se desdobra diante dos meus olhos,

e me enche de temor,

estas montanhas negras, estes arbustos

de nádegas, que inundo com o mar do


coração, que ruge, ruge,

desta tocha de fogo, tocha negra,

e, pulsando como a fonte, o mar derrama

sua espuma na boca do poeta


e entre seis homens e pequenas ilhas,

os homens nus dos sonhos saltam

como elfos vendendo ouro

aos cambistas, e eu contemplo a vida


e questiono o silêncio!

Shakespeare

 Eca! Que frio.

Lá fora, miséria;

aqui dentro, 

dor de dente e dores no peito.

Chegou a hora de contemplar

 o belo  do homem negro,

 nu, entre frestas no banheiro.

Ei, escuta, foi só um tiro ou só uma flecha?

 Olha só quanta amargura!


Vamos lá, Homero, eu juro que 

estarei te esperando na próxima primavera!

A esfera do lírismo

 Agora

é um novo dia


Bombas

Sons

e lá fora uma nova melodia


de nuvens

 

festas frias

Auras

 Aqui está

o vazio imensurável


entre mim

e você

luas,         buracos negros


e a beleza

das montanhas negras

Sicut Judaeis

 O Ferro

Olhar Agridoce

Morte em Fuga

domingo, 12 de julho de 2026

Despedida do sonho

 Todas as noites eu te vejo em meus sonhos.

Você me olha melancolicamente,

e seus cachos negros roçam seu rosto.

Você sussurra uma palavra secreta em meu ouvido,

uma coroa de cipreste como lembrança.

Eu acordo; tudo se foi; o sonho foi levado pela asa do corvo,

e esquecida está a palavra dita na escuridão da despedida.

No outono...

 No outono exuberante,

 a noite grita como

 cristal!

Passou

 Quando a noite estiver fria, 

de quem serão os olhos?

Quando o mar estiver frio,

 em cujas águas eles morrerão?

Quando os dias passarem

 lentamente, quem carregará este coração?

E quanto tempo nos resta?

Que eu mude não é estranho

 O que é superficial muda

O que é profundo também muda

A maneira de pensar muda

Tudo neste mundo muda

O clima muda com os anos

O pastor muda seu rebanho

E como tudo muda

Que eu mude não é estranho

O diamante mais fino muda

Seu brilho passa de mão em mão

O passarinho muda de ninho

Os sentimentos de um amante mudam

O viajante muda de rumo

Mesmo que isso lhe cause prejuízo

E como tudo muda

Que eu mude não é estranho

Tudo muda

Tudo muda

Tudo muda

Tudo muda

Tudo muda

Tudo muda

O sol muda seu curso

Quando a noite permanece

A planta muda e se veste de verde na primavera

O animal selvagem troca de pelagem

O velho muda de cabelo

E como tudo muda

Que eu mude não é estranho…

sábado, 11 de julho de 2026

ONDE SE ENCONTRAM OS RUSSOS, ADEUS AMOR, SOU UM GLORY HOLE


O jornal sangra a seda do czar cortada em fatias de

sílaba de botas

o telefone é uma couve-flor apodrecendo no gelo da Sibéria

tic-tac o poema é uma cavidade na parede de concreto

o orifício da história

onde o ditador sussurra números de sapatos

e o amor é uma preposição gasta

pela umidade da censura.


Recorte o relâmpago:

Pasternak + cinza + o som de um trinco + adeus.


O buraco na parede é a única métrica possível

neste século de ferro e vírgulas inúteis

uma fresta

um olho

um nada

onde se esconde a luz que não pode dizer o nome

do pai

do poeta

do erro.


A lógica caiu da mesa como uma criança de vidro

o jornal está picado

o silêncio é a nossa melhor rima

o buraco é a boca de um deus que se esqueceu de falar.

Deixe-me ir, desista de mim

 Deixe-me ir, desista de mim

Vivemos sem sentir a terra sob nossos pés...

Novos sentimentos despertam

Para nomeá-los todos... Para lutar com terror diante dos inimigos...

 De alguma forma... Até que Apolo exige do poeta 

que componha um novo verso

A conversa é basicamente absurda,

e estamos prontos para realizar o milagre do perdão

De um verso na gaveta

 Um mero capricho, ou asas de corvo 

numa faca, veja só, ele é um gênio, não é?


 Os beijos queimam, um milagre.

atmosfera especial

 Quem trancou a luz naquela janela?


Ah, o dia chegou, chegou como uma flor,

uma onça dourada no parapeito da janela

da humanidade.


Você ouve como é lindo?


É o som do mar, Homero e Pasternak

à minha porta, e eu, de

calças russas.


Mas devemos parar de escrever poemas por causa disso?


Não, a neve não machuca ninguém,

e o calor nos faz beijar mais.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Paisagem

 O mar

Montanhas

Horizontes

Poente

 Lírio do amor,          um


 beijo que passou

Sobre os Objetos do Medo: Fragmentos Filosóficos

I

Vivemos numa era de modernidade fluida, em que as certezas se confundem em constante fluxo e a memória muitas vezes se torna um fardo leve demais para a consciência coletiva. O horror não é um acidente da história, mas uma possibilidade estrutural da própria civilização. Nesse cenário, o Holocausto, que ninguém se esqueça, foi apenas uma das formas de mal infligidas aos judeus, como o foi em outras épocas e contra outros povos além dos semitas. Não foi uma anomalia no desenvolvimento da modernidade, mas a revelação de sua face mais sombria: a capacidade tecnológica de instrumentalizar a crueldade e fazer do "Outro" um objeto de aniquilação. Quando desumanizamos, abrimos a porta para a violência, permitindo que ela deixe de ser um evento isolado e, em vez disso — perigosamente — se torne uma opção dentro do espectro de nossas possibilidades históricas.


II

A modernidade líquida, em sua busca implacável pelo consumo como medida do valor humano, criou novos espaços de segregação que operam sob o disfarce da neutralidade comercial. Considere os shoppings, onde os trabalhadores são tratados como lixo por gigantescas corporações como o McDonald's, enquanto os ricos se comportam como porcos, mesmo que os pobres, além de suas possibilidades, aspirem a ser como esses porcos ricos. Nesses templos de vidro e luz artificial, a desigualdade não é apenas um fato estatístico; é uma coreografia cotidiana. O trabalhador é reduzido a uma engrenagem substituível na máquina, um apêndice da eficiência logística, enquanto o consumidor abastado exerce seu "direito" ao desprezo, protegido por uma arquitetura que separa o privilégio da miséria. O que é verdadeiramente assustador não é apenas a brutalidade da exploração, mas também o poder sedutor desse modelo: o desejo de ascensão social se torna uma armadilha na qual os oprimidos, fascinados pelo glamour do luxo, anseiam ocupar o próprio lugar que os esmaga. É o triunfo supremo da lógica consumista, que nos faz sentir o desejo ardente de nos tornarmos os algozes daqueles que, ainda ontem, compartilhavam o mesmo solo poeirento conosco.

É isso o homem?

 O homem chega à Lua, 

mas não vê a

 miséria de

 seu vizinho.

Subjetividade

 A cada página 

em branco, 


eu morro

 e renasço.

Discurso solitário

 Mar de estrelas

Lágrimas

de alegria

Brancos

Esculpido na areia



A morte

é o lar

do esquecimento

das memórias

Portas e janelas



sua boca na minha

o beijo azul

Flora

em chamas

Ficai em silêncio

 Foi bom, claro que foi.


Um alívio na floresta

na cama linda

no sofá

E por que não

a pulsação do sal branco

na sua boquinha


de aconchego?

Anos de Cão

 Mas você não sabe.

Mas você não sabe.

Mas você não sabe.

Mas você não sabe.


Será que é você mesmo?

Será que é você mesmo?

Será que é você mesmo?

Será que é você mesmo?


Essa névoa ainda me assombra.

Essa névoa ainda me assombra.

Essa névoa ainda me assombra.


Uma saudade surpreendente.

Uma saudade surpreendente.

Uma saudade surpreendente.

Difícil de Imaginar

 Erotismo Masculino


Lembro-me da sua boca

oh, aveludada e salgada

sua boca de veludo estrelado

Pullus, eu seria sua



se eu soubesse

que era amor

profundo

ó grego barbudo

de outrora

eu jamais teria

abandonado seu corpo nu

nem rejeitado seus beijos

das sinagogas

Amor Grego



Poesia densa

entre nós

poeta apaixonado

frases psicodélicas

de amor

nos banheiros

Na tradição de Walt Whitman

 Noite Ardente

Chama e

Solidão

Fogo

Parte do ser

 A chama do amor em meu peito.

Colhi tormento dos ramos mais tenros.

Condenei minhas pálpebras à insônia.

Aquelas noites

 Abracei sua cintura macia,

Bebi água pura de sua boca.

Abracei sua cintura macia,

Bebi água pura de sua boca.

Abracei sua cintura macia,

Bebi água pura de sua boca.


O que você esconde:

O que você esconde:

O que você esconde:

O que você esconde:


A chama do amor em meu peito.

A chama do amor em meu peito.

A chama do amor em meu peito.

Brevidade

 Um mar de lágrimas.

Um mar de lágrimas.

Um mar de lágrimas.


Laranjas em um lago.

Laranjas em um lago.

Laranjas em um lago.


Os corações de seus entes queridos.

Os corações de seus entes queridos.


Às vezes nos assusta.

Às vezes nos assusta.

suas cartas

 Um belo rapaz de lábios vermelho-rubi


Em teu amor encontro minha fé,


e minha eternidade.

uma cota de malha

 Pele clara, cabelo loiro e olhos azuis.

Pele clara, cabelo loiro e olhos azuis.

Pele clara, cabelo loiro e olhos azuis.

Pele clara, cabelo loiro e olhos azuis.


Um "amante negro".

Um "amante negro".

Um "amante negro".


Poder e porte apaixonados.

Poder e porte apaixonados.

Poder e porte apaixonados.

Poder e porte apaixonados.

Açúcar

 Açúcar

quando uma

flor desabrocha

na

chuva

o amor

refresca

dias de prazer

 sobre as casas abandonadas daqueles que amamos.


Ele as envolveu em

 um manto florido e deixou 

uma flor brilhar como 

uma estrela entre elas.

o paraíso

 a beleza masculina

a beleza masculina

a beleza masculina

a beleza masculina


 cantar 

 cantar 

 cantar 

 cantar 


Aquele que ama, permanece casto, esconde o seu segredo e morre, morre como mártir

Aquele que ama, permanece casto, esconde o seu segredo e morre, morre como mártir

Aquele que ama, permanece casto, esconde o seu segredo e morre, morre como mártir

Aquele que ama, permanece casto, esconde o seu segredo e morre, morre como mártir

O anel do tempo

 as estrelas

as estrelas

chuvisco chuvisco

chuvisco.

Pela chuva

Uma Jornada Noturna

Uma Jornada Noturna

Uma Jornada Noturna

Uma Jornada Noturna


O deserto reivindicou

O deserto reivindicou

O deserto reivindicou


Eles foram regados pela chuva

Eles foram regados pela chuva

A vida na esperança!

 tudo, exceto Deus, é vão.!


Na rocha,

 a chuva preserva as moradas,

 as estrelas nas nuvens da 

tempestade cinzenta:

 garoa!

Detalhes

 A partir das experiências

 que vivi, a bandeira 

que me pertence, 

que eu sou.

Uma noite



O amor

pela janela

ri e dança

porque a lua

é uma vela.

no turbilhão do desejo

 A experiência prazerosa da pornografia, a pulsação da sexualidade, reprimida e seduzida no ato do orgasmo.


Sexo selvagem, sensações sublimes, um clímax magnífico em gritos de prazer.


Pura pulsão sexual, pura pornografia, clímax no turbilhão do desejo.


Movimentos brilhantes enquanto a luxúria dá origem aos sons da pornografia profunda.

Poema garimpado

 Raiante rainha, revelando risadas no gozo genuíno e glorioso.

Gozo geral, garimpado pela grandiosa rainha em ritmos raros.

Zelando pelo gozo, a gentil rainha revive raros zelos.

Rainha rebela, revirando o gozo com garra, gesto e graça.

Baudelaire

 Baudelaire,

 buscando a beleza brumosa

 do belo breve.

Baudelaire desvelava dores, 

desenhando decadências

 líricas e raríssimas.

 Baudelaire brincava com a

 baixa boemia,

 buscando o brilho de brancas brumas.

Luazes lúgubres lembrando Baudelaire,

 o bardo da beleza

 banal e bizarra.

a decadência

 Me dê um tapa na cara

minha cara de pedra

um golem judeu

as estrelas

quem sabe, talvez

eu martelo :

o ferreiro da poesia

Folhas

 Rosas e cardos

sentiram o perigo

uma bomba

Mais tarde

um sentimento abrangente de vida,

os estudiosos

Temperamento forte

 dos dons de Deus

as árvores cultivadas

como um homem solitário eu sou

Moleiro da poesia

Folclore

 Vozes Veladas

Vozes Veladas

Vozes Veladas

Vozes Veladas


de guitarras

de guitarras

de guitarras

de guitarras

de guitarras


vibrantes e rápidas

vibrantes e rápidas

vibrantes e rápidas

vozes

vozes

vozes

vozes

Veludas

 Neve da neblina 

das névoas brancas, 

balbuciantes

nas sombras    sombrias

do luar 

luarado                  a tí.