segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Linguagem Pura

Porque então darei uma linguagem pura aos povos —

diz o sopro no pó,

diz a cinza que ainda lembra o nome.


As bocas queimadas aprenderão o som da origem,

e cada sílaba será lágrima que volta à fonte.


As línguas se desprenderão da carne,

flutuarão como anjos sem país,

procurando o ouvido de Deus.


Porque então — oh então —

as vozes não trairão mais o silêncio.

O vento, o sal, o sangue

dirão apenas: um.


E aqueles que vagaram entre ruínas

recolherão as letras dispersas,

as unir-se-ão em oração.


Servirão ao mesmo sopro,

ao mesmo Nome

que se escreve no coração do ar.


E a linguagem pura

não será som —

será luz.




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