quite, certo, nicanor?
conversei com uma chilena gorda
(não importa o tamanho,
porque quem pesa aqui é ela)
e ela me destratou com a elegância
de um terremoto 7.5 na escala
“não estou nem aí para você”.
no chile treme o chão,
trema ela também.
estamos quite:
ela com seus sismos,
eu com meu abalo moral.
certo, nicanor?
tu que disseste que a poesia
não serve para nada
— excepto para nos sacudir —
eu digo que fui sacudido,
não por amor,
não pela metafísica,
mas por um mal-entendido internacional
daquela gorda chilena
e todo o chile virou aquilo pra mim.
e aqui fico:
meio rindo, meio ruindo,
esperando a réplica
que nunca vem.
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