disse primeiro:
“sou livre!
sou teatro!
sou furo na ferida!”
mas bastou a rede chiar
e ele sentou —
não no palco —
mas no colo
dos seus seguidores
o homem da vanguarda
voltou pra retaguarda
porque a maré virou digital
e onde havia grito
brotou desculpa
o artista, coitado,
não fez arte:
fez algoritmo
ninguém mais queima igreja
nem cospe em rei
se o feed não deixar
não há mais censura do Estado —
há o medo do unfollow
e então Gerald,
grande mestre dos espasmos,
virou Geraldinho,
que pede perdão
pra não perder engajamento
teatro?
não.
performance de covardia.
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