Corpo de Homem, Matéria Viva
teu corpo não é estátua
nem espelho:
é carne que pulsa entre o erro e o delírio,
músculo que arde sob a pele exata
do agora.
teu peito —
amplo como a promessa do mar —
incha ao respirar,
e eu escuto
o mundo inteiro estalar dentro de ti.
teu dorso,
tronco de árvore viva,
se curva, se estica,
carrega o peso do tempo
sem deixar de ser beleza.
e as coxas —
duas colunas de fogo —
trazem em si o gesto da terra,
o sustento,
a dança,
o embate.
há em ti um poema sem gramática,
feito só de linhas oblíquas,
de suores que não se escrevem
mas se colhem
na pele.
e quando caminhas,
há um ritmo
que a geometria desconhece,
um compasso
onde a razão naufraga.
tu és forma que recusa o repouso,
belo não porque sim,
mas porque vive:
na ferida, no gesto, na febre
de ser homem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário