Sento.
Abro o computador.
Uma tela azul me encara como se fosse Deus.
Mas não é Deus.
É apenas o reflexo do meu próprio cansaço.
Começo a escrever.
Um poema, talvez.
Um texto em prosa.
Qualquer coisa que me salve de mim mesmo.
Ou que me empurre, com elegância, para o abismo.
As palavras saem lentas,
como um animal ferido,
como um homem que sabe que ninguém o lê,
e que mesmo assim escreve.
Porque escrever é pior que viver,
mas menos desesperador.
A xícara está vazia.
A noite, cheia de vozes que não me pertencem.
Meus dedos doem.
Minha cabeça pesa.
E o tempo?
O tempo é um fantasma vagabundo
que me visita todos os dias às 3 da manhã
para lembrar que a morte vem devagar,
como um e-mail não lido.
Penso em sair.
Em caminhar até o fim da rua
e gritar “A vida é uma desgraça!”
Mas não há ninguém acordado.
Nem mesmo Deus.
Só eu,
o computador,
e essa lucidez que fede a derrota.
Então escrevo mais uma linha.
Talvez a última.
Talvez a penúltima.
E espero.
Como um cão.
Como um poeta.
Como um idiota que não aprendeu
a morrer decentemente.
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