Moncorvo e a Torre
Há em Moncorvo um frio que não fere,
Mas sussurra segredos nas esquinas.
As tardes são antigas, e as colinas
Guardam o tempo como quem prefere.
Ergue-se a torre, altiva e solitária,
Feita de pedra, sombra e intenção.
Talvez tenha sonhado ser oração,
Mas é apenas vigília imaginária.
Não diz o nome dos que ali passaram,
Não pesa os dias — os deixa passar.
É torre de um destino sem amarras.
Em Moncorvo, onde os homens se lembraram
De esquecer, e os sinos sabem calar,
Até o frio aprende a descansar.
Moncoro e a Torre
Em Moncoro, onde a bruma é um costume
E o vento veste os muros com silêncio,
Há uma torre — não sei se sonho ou lenço
De pedra erguido contra o tempo e o lume.
Não tem relógio, sino ou qualquer lume,
Mas guarda em si o exato e o indefenso,
Como se ali morasse um pensamento
De Deus que se esqueceu do próprio nome.
Fria é Moncoro, e nisso está seu alento:
Caminhos lisos, chá morno, um convento
De livros e janelas para o mar.
E a torre, que não fala e nunca dorme,
Persiste — como tudo que é disforme —
Na paz de não querer significar.
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