terça-feira, 24 de junho de 2025

Soneto Irlandês com Fantasmas

 Soneto Irlandês com Fantasmas

Os irlandeses bebem como poetas
e escrevem como quem já viu o inferno.
Na alma têm um mar, cinzento e eterno,
e uma ferida antiga entre as canetas.

Joyce é um labirinto de profetas.
Beckett, um silêncio puro, um inverno.
Yeats dançava com anjos no caderno.
E todos riram, lúgubres, estetas.

Gente que luta e perde — e ainda canta.
Que escreve com a mão esquerda da dor
e brinda com o fogo da garganta.

Li-os tarde. Tarde é sempre o melhor
tempo para a beleza que quebranta
e faz do livro um vidro com ardor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário