Soneto Irlandês com Fantasmas
Os irlandeses bebem como poetas
e escrevem como quem já viu o inferno.
Na alma têm um mar, cinzento e eterno,
e uma ferida antiga entre as canetas.
Joyce é um labirinto de profetas.
Beckett, um silêncio puro, um inverno.
Yeats dançava com anjos no caderno.
E todos riram, lúgubres, estetas.
Gente que luta e perde — e ainda canta.
Que escreve com a mão esquerda da dor
e brinda com o fogo da garganta.
Li-os tarde. Tarde é sempre o melhor
tempo para a beleza que quebranta
e faz do livro um vidro com ardor.
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