domingo, 1 de junho de 2025

Soneto ao Corpo Travestido

 Soneto ao Corpo Travestido


Beijei, febril, o púbis invertido,
Com a alma enferma, em gozo e confissão,
Sorvendo o sêmen quente da ilusão
Do andrógino esplendor desconhecido.

Ó carne ambígua! Ó Édipo vencido
Na esfinge viva da perversão!
Ali jazia — em forma e negação —
O sexo e o anti-sexo reunido!

Não era amor. Não era só desejo.
Era o delírio atômico do beijo
Num ser que é dois, que é sombra e claridade.

E ao me engolir no abismo do seu gozo,
Vi Deus cuspir, num gesto silencioso,
A ambígua eternidade da Verdade.

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