A Futilidade do Verso
Ser poeta... e pra quê? Se a Eternidade
É uma ilusão de cálcio e de carbono,
E o que escrevo, com lágrima e abandono,
Murcha na fossa da inutilidade?
Sou um cadáver que tem claridade
Nos olhos — mas a alma já sem dono.
E quando o verso sai do seu abandono,
Já vem com o mofo da posteridade.
Oh, vã palavra! Oh, rima cancerosa!
No tempo — esse intestino que devora —
O verbo apodrece como qualquer rosa.
E um dia, quando a Terra for só escombro,
Nem traça restará, nem luz, nem aurora —
Só o silêncio engolindo o que ainda assombro.
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