Soneto da Chegada da Minha Avó Judia na Paraíba
Veio do vento, exilada e serena,
Com Salmos na boca e areia nos olhos,
Trazendo em si os segredos e os escolhos
De um povo antigo, de alma sempre acesa e amena.
Pisou o chão da Paraíba pequena
Como quem pisa um templo entre os entulhos,
E os anjos do sertão, feitos de estulhos,
Cantaram salmos na língua da açucena.
Trouxe a Torá costurada na memória,
E um fogo estranho que não se apaga nunca:
Chama do Sinai, que arde em terra escassa.
Desde esse dia, o chão mudou de história:
Fez-se deserto, mas com luz que espanta,
Fez-se promessa na pedra que não passa.
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