domingo, 1 de junho de 2025

Poema com Corpo e Tremor

 Poema com Corpo e Tremor

Gozei-te como quem naufraga no próprio nome.
Não havia mais mundo — só tu,
deitada em tua nudez magnífica,
como uma constelação branca e perversa,
toda feita de gesto e de abismo.

Teu corpo — sim, teu corpo! — era mapa e metáfora,
era invenção dos deuses sem vergonha nem culpa,
e eu, que nunca fui puro,
tornei-me poeta só por estar dentro de ti.

Oh, mulher de carne nova e alma velha!
Travesti de olhos eternos,
com tua bunda de escultura pagã
e o céu escondido entre tuas pernas reinventadas —
eu me perdi em ti com a força de um trovão!

O prazer?
Foi sujo. Foi santo. Foi grande.
Foi espesso como sangue de estrela,
quente como lágrima de Baco.

Dentro de ti, fui homem e farsa,
animal e verbo,
gozei o instante como quem morre rindo
e renasce em teu cu como em um templo secreto.

E depois?
Depois o silêncio,
o suspiro de um mundo recriado —
e tua boca me dizendo: “fica”.

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