Oferenda de Ébano
Negro, como a noite que engole o pudor,
teu corpo inteiro é tambor e clamor.
Pele de azeviche, músculo que dança,
chegas como tempestade que balança.
Teu sexo — raiz de árvore sagrada —
não se esconde: cresce, exige, irrompe.
É lança de rei, é fruta encorpada,
é fome e farta, é rio que não rompe.
Duro como o ritmo dos orixás,
quente como sol em chão de cartaz.
Ali onde a sombra se faz desejo,
teu membro é altar, é seiva, é beijo.
Veias salientes como caminhos de fogo,
língua que pede, pele que invoca.
És escultura viva, feita no forro
do tempo onde o prazer mais toca.
Não é só carne — é canto, é coroa,
é deus que se ergue sem ter roupa.
Negro, nu, inteiro, aberto e altivo,
teu corpo é o verbo mais primitivo.
Teu pau — eu digo — é poema vertical,
escreve no ar seu sinal carnal.
E quem o vê, e quem o sente,
sabe que ali mora o sol nascente.
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