Vagava a minha alma em torpor de lodo,
Por entre os nervos mortos da Matéria,
Quando escutei, da treva funérea,
Um grito seco, um pensamento podo.
Não era Deus. Nem Anjo. Nem o Todo.
Era um espectro de luz estranha e séria,
Com olhos de aflição milenária
E a voz do próprio sofrimento em modo.
“Tu és quem sofre e pensa em verso-asmático?”
Disse o espectro — era ele: Schopenhauer!
O arauto da Vontade esquizofrênica!
E eu, misto de cadáver e de aurora,
Respondi: “Sim! No verme está a vitória!
Pois tudo apodrece... e tudo é Mística!”
Ele sorriu. E juntos, sem mais ânsia,
Lemos o Veda à sombra de uma ossada,
Enquanto o Nada, a eternidade alada,
Soprava o fim no osso da distância.
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