Copa de Leite
No beco quente da madrugada,
ela surge — luz e trovão,
travesti negra, deusa encantada,
com olhos que queimam o chão.
No salto, dança, com realeza,
traveco, sim, com firmeza e flor,
corpo de rima, pura beleza,
no peito, fulgor — no pau, amor.
É grosso, forte, sem pudor,
cobra que embriaga, laço de calor,
mamar, chupar — oração e fervor,
santo ofício de quem sabe o sabor.
E quando goza, ah, que visão!
Leite branco jorra em explosão,
quase um copo cheio, puro tesão,
milagre de um corpo em comunhão.
Na curva da noite, sou seu altar,
ajoelhado, pronto a amar.
Não há pecado — só prazer,
amar travesti é renascer.
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