terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O pomo de Eva

   - Que fêmea carne, em gozo dissolvida, 

Se oferece ao pecado, em grosso vulto! 

É o pomo de Eva, em lábio já sepulto, 

Que busca na cama a morte, e não a vida.


Tal ninfomania, em polpa recolhida,

 É um coito de sombra e de tumulto; 

No altar do corpo, o rito fica oculto, 

E a alma, em seu sumo, vai-se consumida.


   Oh, doce estrutura! Ó breve engano! 

Que na mesa de Deus seria glória, 

Mas no leito do homem é profano.


      -Pois se o corpo é pó, e a carne é memória,

 A fruta que se entrega ao desatino,

 Perde o céu por um instante de destino.

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