- Que fêmea carne, em gozo dissolvida,
Se oferece ao pecado, em grosso vulto!
É o pomo de Eva, em lábio já sepulto,
Que busca na cama a morte, e não a vida.
Tal ninfomania, em polpa recolhida,
É um coito de sombra e de tumulto;
No altar do corpo, o rito fica oculto,
E a alma, em seu sumo, vai-se consumida.
Oh, doce estrutura! Ó breve engano!
Que na mesa de Deus seria glória,
Mas no leito do homem é profano.
-Pois se o corpo é pó, e a carne é memória,
A fruta que se entrega ao desatino,
Perde o céu por um instante de destino.
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