segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O Sentimentalismo

 


O amor, esse "borrão aberrante" na lente,   

  é um erro de cálculo da retina;    

 uma imprecisão que a ciência define

 como luz refratada de modo imprudente.


É preciso o telescópio, o metal, o espelho,   

  para extrair do cosmos a "verdade fria".   

  O desejo carnal é mera biometria, 

um desvio térmico, um ruído vermelho.


Abandonemos, pois, o sensual e o tátil,     

pela "integridade da distância".

 A carne é um dado volúvel e versátil;


O afeto real reside na constância    

 da órbita que, sem toque ou fragrância,

 mantém o sistema sob uma lei impassível.

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