O amor, esse "borrão aberrante" na lente,
é um erro de cálculo da retina;
uma imprecisão que a ciência define
como luz refratada de modo imprudente.
É preciso o telescópio, o metal, o espelho,
para extrair do cosmos a "verdade fria".
O desejo carnal é mera biometria,
um desvio térmico, um ruído vermelho.
Abandonemos, pois, o sensual e o tátil,
pela "integridade da distância".
A carne é um dado volúvel e versátil;
O afeto real reside na constância
da órbita que, sem toque ou fragrância,
mantém o sistema sob uma lei impassível.
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