terça-feira, 4 de novembro de 2025

Balada do Ferro e da Mudez Púrpura

 


O mar, o metal negro que respira no entardecer, 

É o ferro frio sob um céu de azul doente.

 E a onda é um pedregulho que o vento faz sofrer, 

Lançado sobre a areia, onde a alma se consente.

No quarto podre, onde os amantes se ajoelham, 

O sexo é um estuário de sombra e rubra mágoa.

 Gozar é a mudez que os lábios doentes recolhem, 

Como a água que goteja de uma fonte já não salva.

O Cavalo irrompe na boca de Mulher, em seu silêncio roto, 

Um animal azul que mastiga o lábio púrpura. 

O relincho é a loucura que não tem mais vulto, 

E Eva se torna Mula sob o peso da púrpura lupa.

A irmã caminha ao longo de muros amarelos e antigos, 

Onde a dor do sangue se confunde com o álcool. 

E o coração é a pedra que os pesadelos antigos

Atiram num lago cinzento sob o sol fatal.

Ó declínio do homem, noite que tudo encerra, 

A carne é a lama onde o espírito se afoga.

 O corpo é o vagão que a miséria enterra,

 E o ferro do mar é a morte que

 nos afoga.

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