O mar, o metal negro que respira no entardecer,
É o ferro frio sob um céu de azul doente.
E a onda é um pedregulho que o vento faz sofrer,
Lançado sobre a areia, onde a alma se consente.
No quarto podre, onde os amantes se ajoelham,
O sexo é um estuário de sombra e rubra mágoa.
Gozar é a mudez que os lábios doentes recolhem,
Como a água que goteja de uma fonte já não salva.
O Cavalo irrompe na boca de Mulher, em seu silêncio roto,
Um animal azul que mastiga o lábio púrpura.
O relincho é a loucura que não tem mais vulto,
E Eva se torna Mula sob o peso da púrpura lupa.
A irmã caminha ao longo de muros amarelos e antigos,
Onde a dor do sangue se confunde com o álcool.
E o coração é a pedra que os pesadelos antigos
Atiram num lago cinzento sob o sol fatal.
Ó declínio do homem, noite que tudo encerra,
A carne é a lama onde o espírito se afoga.
O corpo é o vagão que a miséria enterra,
E o ferro do mar é a morte que
nos afoga.
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