quarta-feira, 14 de maio de 2025

Soneto do Leite Sagrado



Em teu colo, de luz e sombra feito,  

Sorvi o néctar que ardente escorria,  

Um grito doce ecoou no peito,  

E o tempo em nós perdia a agonia.  


Três vezes mais teu rio me banhava,  

Já morno, lento, quase a desfalecer,  

Mas eu, voraz, nenhuma gota extravasa,  

E em meu ser soube o êxtase tecer.  


Engoli-te por completo, divina,  

Travesti de sabores e segredos,  

E a noite enfim se fez pura e acabada.  


Levei na boca a tua essência fina,  

Salgada prova de amores calados,  

E voltei ao lar, alma saciada.

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