quarta-feira, 14 de maio de 2025

entrei e gozei na boca da brasileira



entrei como o rio que deságua no mar,  

sem medo, sem véu, sem pensar,  

e tua boca era o céu aberto,  

um calor que me fez delirar.  


teus lábios, mel de cana roubado,  

doces como o verso de um samba no ar,  

gozei como quem cai de um avião,  

sem paraquedas, só pra te encontrar.  


a língua dançava, um carnaval meu,  

e eu, perdido no teu gingado,  

sentia o mundo desabar  

num instante de puro pecado.  


eras morena, eras fogo, eras sal,  

e eu, só um naufrágio em teu quintal,  

afogado no teu abraço,  

numa sede que não tem final.  


depois, o silêncio—um tambor mudo,  

o corpo ainda ecoando o teu grito agudo,  

e a boca, agora vazia,  

guardando o sabor do que foi tão crú.  


saio devagar, como quem não quer ir,  

deixo a porta entreaberta pra te ouvir,  

e o cheiro de ti ainda preso em mim,  

um verso que nunca vai sair.

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