entrei como o rio que deságua no mar,
sem medo, sem véu, sem pensar,
e tua boca era o céu aberto,
um calor que me fez delirar.
teus lábios, mel de cana roubado,
doces como o verso de um samba no ar,
gozei como quem cai de um avião,
sem paraquedas, só pra te encontrar.
a língua dançava, um carnaval meu,
e eu, perdido no teu gingado,
sentia o mundo desabar
num instante de puro pecado.
eras morena, eras fogo, eras sal,
e eu, só um naufrágio em teu quintal,
afogado no teu abraço,
numa sede que não tem final.
depois, o silêncio—um tambor mudo,
o corpo ainda ecoando o teu grito agudo,
e a boca, agora vazia,
guardando o sabor do que foi tão crú.
saio devagar, como quem não quer ir,
deixo a porta entreaberta pra te ouvir,
e o cheiro de ti ainda preso em mim,
um verso que nunca vai sair.
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