segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Paisagem das Nuvens


Veja,
como são belas
essas nuvens azuladas
de Campinas.

Parecem imensas ovelhas,
mas não se movem:
repousam
no hábito do céu.

Algodão comestível —
penso nisso
com uma seriedade quase infantil,
como se o olhar
pudesse provar
o que vê.

Há nelas
uma ordem caseira,
doméstica estrutura da beleza:
fofas, sim,
mas sustentadas
por uma arquitetura invisível.

Nada nelas é urgente.

Passam
como quem sabe
que será observado.

E a cidade, abaixo,
aprende por instantes
a ser leve
sem deixar de ser exata.

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