Veio do norte da névoa germânica,
da Pomerânia onde o tempo
aprendeu a esperar.
Gravador de selos,
mercador de pequenas coisas
— linhas, botões, metais discretos —
mas trazia no peito
o peso antigo do povo errante.
Sob Gustavo, o rei,
cruzou mares frios,
não por glória,
mas por permanência.
Na Suécia,
e depois na Finlândia de portos calmos,
abriu comércio
como quem abre um pacto:
trabalho em troca de chão,
fidelidade em troca de abrigo.
Não ergueu impérios,
ergueu continuidade.
Cada objeto vendido
era também um sinal:
a fé pode atravessar reinos,
a tradição pode vestir-se
de cotidiano.
Hoje, o tempo o guarda
como guarda os justos silenciosos —
não nos monumentos,
mas na linha invisível
que une memória e futuro.
E ali, nessa linha,
Aaron Isaac ainda negocia
com a eternidade.
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