terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Vestes


A própria estrutura do cosmos exigia

nada menos que o gesto consagrado:
tecer no pano a lei que resistia
ao caos do mundo impuro e dispersado.

As roupas eram muro e eram oração,

barreira tênue contra a noite alheia,

guardavam o eleito em separação
das profanidades que a terra semeia.

Assim vestidos, caminhavam sós
entre impérios de pó e de ruína,
levando em cada dobra a voz de Deus.

Não por soberba — mas porque após nós
o tempo exige forma que o sustinha:
o corpo, signo vivo dos eleitos Seus.

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