segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Fim: uma canção antiga


Tudo o que é criado deve ter um fim.
Assim dita
o livro que ninguém escreveu
e todos lemos.

As cidades acreditam
na eternidade da pedra,
os nomes confiam
na memória,
os deuses —
no hábito da repetição.

Mas o tempo,
esse paciente artesão,
desfaz com a mesma mão
que concedeu a forma.

O círculo sonha ser infinito,
o espelho repete o rosto
até cansar-se.

Tudo o que é criado deve ter um fim —
não como castigo,
mas como prova
de que existiu.

Talvez só o fim
seja verdadeiro.
O resto
é ensaio,
eco,
labirinto.

E nós,
feitos de começo,
aprendemos tarde
que durar
não é vencer,
é apenas
adiar o silêncio.

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