Capítulo 1: O Despertar
A cidade de Bortpokr ficava perdida nas colinas, coberta por uma espessa névoa que jamais se dissipava. As pessoas não falavam muito sobre o que acontecia ali; os segredos eram velhos, enterrados sob a terra úmida e as sombras do passado. Mas, uma coisa era clara: ninguém jamais falava do poço. Era uma história que sempre se desenrolava em sussurros, o tipo de história que os mais velhos contavam com um tom grave, como se o simples ato de mencioná-lo fosse o suficiente para despertar o mal.
Sherman Parke, policial de meia-idade, não acreditava em superstições. Para ele, coisas como monstros ou maldições eram uma desculpa conveniente para o mal real que habitava o coração dos homens. Mas algo estava errado em Bortpokr, algo que ele não conseguia entender. Nos últimos meses, o número de desaparecimentos na cidade tinha aumentado, e as mortes, embora poucas, eram violentas e inexplicáveis. Quando Parke recebeu a ligação, soubera imediatamente que era apenas o começo.
Ele já tinha ouvido os rumores sobre o poço.
Capítulo 2: A Primeira Desaparição
A primeira vítima foi Emily Dorsey, uma jovem que trabalhava no café da esquina. Ela desapareceu em uma noite fria de novembro, sem deixar vestígios. O único sinal de algo errado foi um bilhete encontrado na mesa do café, uma palavra rabiscada com pressa: “poço”.
Parke foi chamado para investigar, mas as pistas eram poucas. Não havia sinais de luta. Nenhum vestígio de sangue. Apenas o bilhete, uma evidência estranha que parecia mais uma brincadeira de alguém tentando causar pânico. Mas quando ele seguiu até a casa de Emily, algo o fez olhar para o terreno atrás da casa dela. Um poço. Pequeno, esquecido, coberto por uma tampa de madeira envelhecida, quase invisível à vista.
Parke teve um calafrio. Era apenas um poço antigo, mas em Bortpokr, até os poços pareciam ter algo de errado.
Capítulo 3: A Lenda
A investigação de Emily levou Parke a entrevistar os moradores mais antigos da cidade. Eles falavam pouco, mas sempre com um olhar desconfiado quando o assunto era o poço. Um dos mais velhos, o Sr. Harrison, um homem de pele enrugada e olhos cansados, tentou dissuadi-lo de ir até lá. "Não é lugar para gente como você, policial", ele disse, com um sorriso fraco. "O poço guarda coisas que não devem ser lembradas."
Ao ouvir essas palavras, Parke se lembrou das histórias que os antigos contavam sobre uma criatura que habitava o poço. Diziam que era um ser que se alimentava da vida dos moradores da cidade, puxando-os para a escuridão a cada vez que alguém ousava olhar dentro de suas profundezas.
“Não é uma história”, disse o Sr. Harrison, olhando fixamente para o policial. “É uma verdade terrível.”
Capítulo 4: O Poço
Sem poder deixar de lado o que ouvira, Parke decidiu visitar o poço. Ele dirigiu até a casa de Emily, estacionando seu carro no fim da estrada, onde o nevoeiro tornava tudo ainda mais sombrio. A madeira do poço rangia sob seu peso quando ele levantou a tampa. Olhou para dentro, mas nada parecia fora do normal. Apenas a escuridão, profunda e impenetrável.
Mas foi nesse momento que algo estranho aconteceu. Uma sensação de frio percorreu sua espinha, como se estivesse sendo observado. Ele deu um passo atrás e ouviu um som — um leve farfalhar vindo do fundo, como se algo estivesse se mexendo nas profundezas da terra.
Parke fechou o poço e correu de volta para o carro. A verdade, ele sabia, estava começando a se revelar. E o que ele sentia no fundo de seu estômago era uma certeza incômoda: o monstro estava ali, esperando.
Capítulo 5: A Segunda Morte
A segunda vítima foi o prefeito de Bortpokr, George Trask. Seu corpo foi encontrado perto do poço, com os olhos arregalados e a expressão de horror estampada no rosto. Mas não foi isso que chamou a atenção de Parke. O que realmente o perturbou foram as marcas profundas em torno de seu pescoço, como se algo o tivesse apertado com uma força sobrenatural.
A cidade inteira entrou em pânico. Os moradores começaram a abandonar suas casas, temendo que o mal que eles sempre souberam estar ali tivesse finalmente acordado. Parke, por outro lado, estava decidido a resolver o mistério. Ele sabia que a chave estava no poço, mas o que ele não sabia era até onde a cidade estava disposta a esconder a verdade.
Capítulo 6: O Peso da História
Parke passou dias pesquisando a história de Bortpokr, encontrando pouco mais do que fragmentos. Mas, então, ele encontrou um diário antigo, de um dos primeiros fundadores da cidade. A cada página, as palavras ficavam mais apavorantes. A cidade tinha sido construída sobre um antigo cemitério indígena, e o poço… o poço tinha sido criado para selar algo muito mais antigo, muito mais maligno.
O diário falava sobre uma criatura que foi enterrada nas profundezas da terra, algo que os nativos temiam. Eles o chamavam de *Neh’ra-ka*, o Ser da Escuridão. Diziam que ele se alimentava das almas dos vivos, e que qualquer um que o despertasse seria consumido por sua sede insaciável.
Parke sentiu um nó na garganta. Ele estava começando a entender.
Capítulo 7: A Descoberta
Em uma noite silenciosa, Parke voltou ao poço. Ele não sabia por que, mas algo o chamava. Talvez fosse a necessidade de resolver o mistério. Talvez fosse o medo de que se ele não fizesse isso, mais pessoas morreriam.
Ele olhou mais uma vez para a tampa do poço, e agora, ao contrário de antes, algo parecia visível nas profundezas. Não era só escuridão. Era um movimento. Algo se mexia lá embaixo.
Então, o horror aconteceu.
Uma mão, pálida e esquelética, surgiu do fundo do poço. Não uma mão humana. Algo mais… monstruoso. E o que veio a seguir foi uma gargalhada baixa, gutural, que parecia sair das próprias paredes da terra.
Parke recuou, mas já era tarde demais.
Capítulo 8: O Encontro
Ele viu o monstro em sua totalidade pela primeira vez. Uma criatura coberta por uma pele escamosa, seus olhos grandes e negros como abismos. Seu corpo se movia de maneira tortuosa, como se estivesse deformado. Seus dentes afiados refletiam a luz da lua, e ele sorriu para Parke de uma maneira que fez o sangue do policial congelar.
"Você me procurou, policial", disse o monstro com uma voz que parecia o eco de mil sussurros. "Agora, você me encontrará."
Antes que Parke pudesse reagir, o monstro avançou.
Capítulo 9: A Luta
Parke lutou com todas as forças que tinha. Ele puxou sua arma, mas a criatura parecia intangível, sua forma distorcendo-se à medida que ele atirava. Não havia esperança. A única coisa que o manteve de pé foi a raiva, o desejo de impedir aquele mal de destruir sua cidade.
"Você não pode me matar", disse o monstro, rindo. "Eu sou a escuridão. Eu sou o poço. Eu sou eterno."
Mas Parke não desistiu. Ele sabia que se não conseguisse parar aquela criatura, Bortpokr estaria perdida para sempre. A luta continuou, desesperada, até que Parke conseguiu encontrar um ponto fraco na criatura — um buraco no seu corpo, por onde ele enfiou um pedaço de madeira que havia encontrado no chão.
O monstro gritou em dor, mas não morreu. Ele se retirou para a escuridão, desaparecendo no fundo do poço, levando com ele os ecos de seu riso macabro.
Capítulo 10: O Sacrifício
Parke sabia que não poderia vencer o monstro. Mas ele também sabia que não poderia deixá-lo destruir a cidade. Então, com uma última tentativa de fazer o que era certo, ele selou o poço novamente.
Ele sabia o que teria que fazer.
Ao amanhecer, Bortpokr acordou com o som de sirenes. Quando os moradores saíram para as ruas, encontraram Parke parado perto do poço, o olhar vazio e distante.
O policial estava morto, mas algo em seu rosto dizia que ele havia vencido, ao menos por um tempo.
O poço estava selado. Mas o mal, todos sabiam, jamais seria realmente erradicado.
A criatura ainda estava lá, esperando.
E o poço, com seu mistério sombrio, permaneceria como um lembrete de que algumas coisas não devem ser mexidas.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
O Poço
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