a poesia nasce até mesmo dos olhos dos cegos.
eu aprendi isso numa manhã silenciosa, quando uma senhora que não enxergava desde a infância me disse que via o mundo inteiro dentro daquilo que não podia ver.
“a luz não precisa entrar pelos olhos”, ela falou. “ela entra pela alma.”
passei dias pensando nisso.
percebi que tantas vezes procuramos beleza onde ela parece brilhar mais forte — mas nos esquecemos de que a verdadeira luz vem de dentro.
há pessoas que veem tudo e não enxergam nada.
e há outras que, mesmo na escuridão, carregam um sol aceso no coração.
a poesia, afinal, não é feita apenas de palavras.
é feita de escuta.
de presença.
de coragem para olhar o invisível.
quando compreendi isso, notei que cada passo, cada vento, cada encontro traz consigo um verso escondido.
e que ninguém está privado da beleza — apenas se esquece de buscá-la.
porque a poesia, essa antiga mensageira de deus,
nasce onde quiser:
nos desertos, nas tempestades, nos silêncios,
e até mesmo dos olhos dos cegos,
que enxergam com aquilo que nós, muitas vezes, deixamos adormecer.
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