sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Descanso Cotidiano

para cecília meirelles 


As ilhas, deixam que eu escreva,

e paro de pensar demais.


O mundo se recolhe nas margens,

e minha alma se desfaz.

Ah, viajante —

ouve a chuva da noite cair devagar,

como dedos leves

apagando pegadas do pensamento.

Há uma fogueira, brasa viva,

respirando em silêncio vermelho;

e dentro da pequena caverna

tecida de folhas e sombras,

um guerreiro adormece

com a espada flamejante ao lado.

Tudo repousa.

 

Até o medo se aquieta,
como animal cansado
de fugir de si mesmo.

Pois a mente pode ser um labirinto
de corredores intermináveis —
mas o coração,
em sua calma antiga,
sempre sabe o caminho.

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