sábado, 27 de dezembro de 2025

Soneto Solidão


No plasma turvo do querer humano,
Onde o desejo arde em febre obscura,
O amor apodrece em célula impura
E a alma sangra em tédio cotidiano.

Vivi do pensamento o drama insano,
Entre a carne nervosa e a ideia dura,
Fazendo da paixão matéria escura
E da solidão um Deus subterrâneo.

Angústia! És tu o núcleo que me rege,
O ácido que corrói cada ternura,
O verme intelectual que tudo elege.

Pois amar foi sofrer sem arquitetura,
E pensar, decompor o que se elege
Na necropsia brutal da vida impura.

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