Vou sair,
vou Brasil adentro,
na França da América do Sul
— perfume de café com sonho europeu
no calor do trópico sem pudor.
Vou zulu,
andar nu de mapa e de medo,
pé na estrada,
corpo em canto,
alma em batuque antigo
que o tempo não ensinou a esquecer.
Vou para a Bahia
viver de gado,
de sol lento,
de prosa comprida na sombra do dia,
onde a vida mastiga a pressa
e devolve sorriso.
Vou cantar com o vento,
vou plantar meu nome no chão,
vou aprender com o silêncio
o que o barulho não diz.
Mas eu vou ficar em São Paulo, amor.
Ficar porque o caos também chama,
porque o concreto pulsa,
porque teu olhar atravessa avenidas
e me ancora.
Entre o ir e o ficar
sou estrada aberta:
Brasil que anda,
Brasil que dança,
Brasil que ama
sem pedir tradução.
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