brasil, país de terras sem fim,
de rios que carregam séculos,
de ventos que espalham sementes
como quem derrama esperança.
mas no teu chão imenso
há mãos que seguram tudo
e milhões que nada seguram.
há latifúndios que dormem
como gigantes preguiçosos,
e há homens e mulheres
que acordam famintos
diante da abundância.
brasil, acordai:
deveríamos fazer uma reforma agrária!
não como guerra,
mas como colheita.
não como grito vazio,
mas como pão dividido.
que a terra deixe de ser
o cofre fechado dos poderosos
e volte a ser o ventre generoso do povo.
porque nenhum país floresce
quando seu solo está preso
nas mãos de poucos.
porque nenhuma nação cresce
quando os camponeses carregam nas costas
o peso de séculos,
enquanto outros colhem ouro
daquilo que não plantaram.
que a reforma agrária venha
como chuva depois da seca,
como justiça depois da noite longa.
que devolva dignidade
a quem trabalha com as unhas,
a quem conhece cada pedra,
cada raiz,
cada estação de esperança.
brasil, acordai:
chegou a hora de abrir as porteiras
que a história trancou.
chegou a hora de derrubar muros invisíveis
construídos por ganâncias antigas.
chegou a hora de dizer
que o agro não pode ser feudo,
que a terra não pode ser moeda,
que o país não pode ser refém
da cobiça de uns poucos.
a reforma viria
como um novo sol,
clareando a vida
de todos os cidadãos brasileiros.
e então,
talvez pela primeira vez,
ouvir-se-ia nos campos do brasil
não o silêncio da injustiça,
mas o canto do povo
cultivando o futuro
com as próprias mãos.
brasil, acordai:
a terra chama.
e quem não escuta a terra
não escuta mais nada.
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