segunda-feira, 9 de julho de 2018

Romance de Tamar e Judá

Romance de Tamar e Judá

No céu nuvens de grilos 
e rumores de águas claras, 
o verão se mostra morno 
nas pradarias palestinianas.
Por cima dos montes vão as cabras 
 as nuvens cinzentas são navios. 
 O ar que vela a moça 
 vinha com balidos de sinos.
A serra mostra seus seios de cristal 
feridas são cicatrizadas com mel. 
 Estremece o adulemita e o israelita,  
luas brancas dançam no céu.

Tamar sonhando seus rios, 
 passarinhos são seus filhos, 
ao som do pandeiro da promessa 
que Judá não cumpre.
Sua desnuda viuvez sangra de anelo 
agudo norte de palmeiras. 
pede por ver Selá  
e granitos fecham a promessa.
Tamar cantando sua tristeza / 
vela por seus pés com sedas negras.

Ao redor do campo vai /
 cinco passos de cabritos / 
Judá chorava por Suá / 
até cumprir seus lutos de barba.
Oscilante voz corre; / 
midianitas vendem seus produtos / 
com um rumor de sete dentes / 
a terra parece um muro. 
Juda com vestes rotas / 
comercia ovelhas com seus amigos
 / gargalha com suas apostas levantinas /
 perde um cajado e ganha outro mais bonito.
Via a lua com seios de desejo,
 duríssimo pensamento estremeceu seus olhos.

A três e meio dia, desceu Judá para outros campos,
Tamar esconde sua tristeza / 
com vestes negras de prostituta /
 o sogro sonha com prazeres de nuvens 
/ e oferece um cabrito pelo cordão.
Tamar pede como garantia / 
flautas que cantam pelo meio-dia /
 um anel da tribo / sua vara bonita.
Judá sem deter seu desejos tranquilos /
 investe (sem saber) / na luz do moinho. 
Tamar em seus peitos duros e altos
 / geme como uma cabritinha nua.

Óh que gritos se ouviram aquele dia, 
por cima dos muros, dos campos, do sol. 
Ao redor de Judá cantavam 
querubins e rouxinóis, 
e ao terminar, Tamar vestiu 
seus vestidos de estrelas.

Sangues negros descobrem o pejo /
 gritam as moças virgens : sua nora está grávida
 / Judá enfurecido é juiz e profeta: 
-levai-a para fora para ser queimada.

No meio tempo da angústia / 
Tamar revelou seus penhores de amor / 
Judá com olhos de quatro leões /
 gritou sem dor: "ela é mais justa do que eu".

Nunca mais a conheceu / 
homem de palavra que não era. 
No difícil parto que se deu, 
nasceu Zará e Pérez.
No meio de tudo isso, Judá seguiu seu caminho / 
estrelas brilhantes aguardavam, 
a linhagem de Davi, 
com anjos e violinos.




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