sexta-feira, 13 de julho de 2018

Não, amada minha, não

  Mais que mágoas
são essas que carregas
nos olhos
como uma chuva
de espigas amarelas?
  Não, amada minha,
não chore, não chore
porque muits são
as estrelas lunares
em tua boca de acerola.
  A noite é imensa
e pode ser vazia,
mais eu te consolo
com o ruído abafado
da minha voz,
  e com meus carinhos
de argila e madeira
farei cavalgar os beijos
doces do oceano
só para te alcançar
a boca, os peitos,
as nádegas de querubina.
Não amada minha,
não, queria, doce amora
do meu arvoredo seco,
não posso acreditar
que alguém te encostade
nem sequer um dedo.
Não chore, essas mágoas
de vidro que me cortam.
 Vem até a janela do meu
quarto, antes que a morte
chegue até mim e até você.
  Beija-me, antes que
seja tarde, antes que o dia
 me transforme em cavalo
e eu morra como um lobo
nas solidões imensas da Arábia.

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