sexta-feira, 13 de julho de 2018
Tenho muito poucos amigos
Tenho muito poucos amigos
o tempo o vento e a solidão
a amargura o sangue e a morte
poucos amigos poucos símbolos
que me movem com imensa
simpatia porque tenho os
olhos secos como os gravetos
dos rios.
Tenho muito poucos amigos
alguns que me falam alto
quando não quero escutar
o sol ou a lua, alguns que
falam tão baixo que chego
a me tornar surdo, alguns
que me esfaqueiam com
tinta e com pinceis,
outros que me matam
com sonhos e vontades.
Tenho muito poucos amigos
alguns tens seios outros tem
o corpo nu cravejado de
diamante como arcanjos
outros são outras com
nádegas lindas como
belas querubinas e
bucetas vermelhas
como maças.
Tenho muito poucos amigos
porque quando caminho quero
estar livre e ficar com os meus
livros que acusam de ser demonios
quero distancia desses loucos
desses bárbaros quero distancia
de tudo o que posso ser reluzente
mesmo que eu goste com pompas.
Tenho muito poucos amigos
alguns vivos e outros mortos
alguns estrelas outros luas
outros como por-do-sol
outros como mares afogados.
Tenho muito poucos amigos
um é whitman, outro neruda,
outro é yeats, outro é lorca.
Tenho muito poucos amigos.
Alguns são como anjos,
querubins cercados de
roupas cravejadas de diamante.
Uns é Deus, com o rosto tão
luminoso que me cega os olhos.
Tenho muito pouco amigos
alguns são sombras outros amarguras
alguns são avas outros são terra
uns são legumes alfaces
e outros são tartarugas mudas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário